Uma adolescente que caiu num buraco há mais de 12 mil anos, na península mexicana de Yucatan, está a dar pistas sobre as origens dos primeiros nativos americanos, anunciam investigadores.

Batizada «Naia» pelos investigadores, o seu esqueleto é dos mais antigos e mais bem conservado das Américas.

Os restos mortais de «Naia» foram encontrados em 2007, quando submergiram numa caverna subaquática, juntamente com ossos de tigres de dentes de sabre, preguiças gigantes e ursos das cavernas, cerca de 41 metros abaixo do nível do mar.

Na altura em que «Naia» caiu, há 12 ou 13 mil anos, a área, denominada Hoyo Negro, era seca e estava acima do solo.

O descongelamento de glaciares fez com que o nível da água do mar aumentasse e cobrisse o poço de água durante os últimos oito mil anos.

A rapariga tinha 15 ou 16 anos e terá caído naquilo que lhe pareceu um furo de água, tal como aos animais que tiveram o mesmo destino.

A pélvis de «Naia» ter-se-á partido no impacto, o que sugere que teve uma morte rápida após a queda, de acordo com o arqueologista e antropologista forense Jim Chatters.

O crânio mostra que «Naia» tinha um rosto estreito e pequeno, olhos grandes, uma testa proeminente e dentes projetados para fora.

A sua aparência era «quase o oposto da dos nativos americanos», afirmou Jim Chatters aos jornalistas.

No entanto, um marcador genético encontrado numa costela e num dente, demonstram que a herança genética da jovem é a mesma de alguns nativos americanos dos dias de hoje.

O relatório, publicado na revista Science, sugere que «Naia» descende de pessoas que migraram da Ásia através do estreito de Bering, por uma zona de terra que era conhecida como Beringia.

«O que este estudo demonstra pela primeira vez é que os paleoamericanos [expressão utilizada para designar os primeiros povos que habitaram o continente americano], com aqueles traços distintivos, podem estar também ligados à mesma população da Beringia que os nativos americanos contemporâneos», referiu Deborah Bolnick, professora assistente na Universidade do Texas.

Tal vai contra as teorias defendidas por alguns especialistas, que dizem que os nativos americanos descem de pessoas que migraram mais tarde, talvez da Europa, do Sudeste Asiático ou da Austrália.