Um grupo internacional de cientistas descobriu um grande espaço vazio escondido no interior da Grande Pirâmide de Gizé, no Egito. A cavidade tem 30 metros de comprimento e tem um volume e altura semelhantes à da Grande Galeria, uma das maiores câmaras que existe dentro da pirâmide egípcia.

Com 139 metros de altura e uma base de 230 metros de comprimento, a Grande Pirâmide de Gizé era a mais alta estrutura construída pelo Homem até à Torre Eiffel, em Paris, em 1889. Foi construída durante o reinado do Faraó Quéops, ou Khufu, em egípcio e, por isso, também é conhecida como Pirâmide de Quéops, ou Khufu. Monumento emblemático de uma das grandes civilizações da Antiguidade, a pirâmide é a última das sete maravilhas do mundo antigo que ainda se encontra intacta, nos arredores do Cairo, mas ainda guarda muitos mistérios para os cientistas.

Atualmente, a Grande Pirâmide de Gizé tem três câmaras conhecidas: a Câmara do Rei, maior e no ponto mais alto; a Câmara da Rainha, logo abaixo; e a pequena e “inacabada” Câmara Subterrânea. Essas câmaras estão “ligadas” por vários corredores, sendo o maior deles uma larga passagem em ascensão, a Grande Galeria, entre as duas primeiras.

O espaço vazio recém-descoberto, por sua vez, está logo acima da Grande Galeria e tem dimensões semelhantes: além dos pelo menos 30 metros de comprimento, tem oito de altura e uma largura entre um e dois metros.

A cavidade é "tão grande como um avião de 200 passageiros no coração da pirâmide", declarou à AFP Mehdi Tayubi, presidente e cofundador do instituto HIP, em França, codiretor do projeto ScanPyramids, responsável pela descoberta e um dos líderes de um estudo publicado na revista Nature.

Os cientistas, financiados pelo Governo do Egipto, anunciaram a descoberta num estudo, publicado esta quinta-feira, na revista científica Nature. Mas os mesmos cientistas dizem ainda não saber qual era o propósito da câmara, o que contém ou as dimensões do espaço que estão a chamar de "vazio" ou "cavidade" dentro da pirâmide, construída como um túmulo monumental cerca de 2560 anos antes de Cristo e sublinham que “há que considerar muitas hipóteses arquitetónicas”.

Os que os investigadores asseguram com toda a certeza é que a cavidade agora descoberta constitui a primeira grande estrutura interior encontrada na Grande Pirâmide desde o século XIX.

Aquilo de que temos certeza é de que este grande vazio existe, é impressionante, e que não era perspetivado por nenhum tipo de teoria de que eu tenha conhecimento", disse Mehdi Tayoubi.

 

Abrimos a questão aos egiptólogos e arqueólogos: o que poderá ser?", acrescentou Hany Helal, da Universidade do Cairo, citado pela agência Reuters.

A descoberta agora divulgada resulta de um projeto chamado Scan Pyramids, que recorre a tecnologia não invasiva de captura de imagem para averiguar a estrutura interna das pirâmides do Antigo Egito e procura compreender como foram construídas.

"Não estamos nesta missão para encontrar cavidades escondidas", disse Hany Helal.

De acordo com Reuters, para ter acesso ao interior da pirâmide, os cientistas utilizaram um método de captura de imagem baseado em raios cósmicos. Esses raios são compostos por partículas elementares altamente energéticas que atravessam o espaço em todas as direções a uma velocidade muito próxima à da luz. Quando essas partículas interagem com os átomos da atmosfera terrestre, milhões de partículas parecidas ao eletrão entram para a Terra: são os muões, que penetram de forma profunda nos objetos sólidos.

O que os cientistas fizeram foi usar os muões (que conseguem penetrar centenas de metros dentro de pedra antes de serem absorvidos e funcionam como detetores) para fazer uma espécie de radiografia à Grande Pirâmide de Gizé, determinando assim espaços vazios dentro daquela uma estrutura sólida e desvendando uma câmara que nunca tinha sido visualizada pelos investigadores.

O projeto juntou cientistas japoneses da Universidade de Nagoya e franceses da Comissão de Energias Alternativas e Energia Atómica, que estiveram no Egipto a instalar detetores de muões na pirâmide em 2015. 

E foi precisamente há dois anos que uma equipa internacional de arquitetos e cientistas detetou "anomalias térmicas" nas pirâmides de Gizé, incluindo na maior e mais antiga, a Grande Pirâmide (de Quéops, ou Khufu). Na altura, os investigadores apontaram que as causas podiam ser áreas ocas dentro das pirâmides, correntes de ar ou o uso de materiais de construção diferentes. A descoberta, feita depois de ter sido realizado um projeto de digitalização termal, levantou suspeitas sobre a existência de divisões secretas.