O governo alemão planeia reforçar a regulação do Google e de outras empresas da Internet para evitar eventuais abusos da posição dominante no setor digital, segundo declarações dos ministros da Economia e do Interior.

Num artigo de opinião publicado hoje no diário Frankfurter Allgemeine Zeitung, o ministro da Economia e vice-chanceler, o social-democrata Sigmar Gabriel, defende que deve ser feita uma análise para determinar se o Google está a «encurralar» os seus rivais no setor e se, ao fazê-lo, viola as regras da concorrência.

Por seu lado, o ministro do Interior, o conservador Thomas de Maizière, afirmou ao jornal Handelsblatt estar preocupado com a «dimensão excessiva» do Google, acrescentando que a crise financeira pôs em evidência os perigos decorrentes das posições de domínio em determinados setores.

De Maizière viaja na próxima segunda-feira para Washington, onde tem previsto reunir-se com responsáveis de empresas tecnológicas para falar da proteção de dados pessoais e da segurança na Internet, na sequência do escândalo de espionagem em massa da Agência de Segurança Nacional (NSA) dos Estados Unidos.

Questionado, o porta-voz do governo, Steffen Seibert, recusou dizer se os planos de Sigmar Gabriel têm o apoio da chanceler, Angela Merkel, limitando-se a afirmar que ela «está ao corrente» do «intenso trabalho» do vice-chanceler no âmbito do setor digital.

No artigo de opinião, Gabriel refere também a intenção de «travar o dumping fiscal» de empresas como a Google, Amazon ou Apple, que reduzem a carga fiscal desviando parte das suas atividades para paraísos fiscais.