O Serviço de Oftalmologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) participa num ensaio clínico internacional para avaliar o potencial de eficácia de um novo medicamento para uma doença oftalmológica que afeta a transparência da córnea.

O ensaio clínico, que começou há dois meses e que se realiza em 39 centros de nove países europeus, está «a ser promissor», observando-se «bons resultados», contou Joaquim Murta, líder da equipa que realiza o ensaio no Centro de Responsabilidade Integrado do Serviço de Oftalmologia.

A doença, queratite neurotrófica, que se estima «afetar uma em cada cinco mil pessoas», pode levar «à perda de transparência da córnea», podendo haver uma «diminuição acentuada da visão», explicou o responsável.

Nas situações mais graves, «a parte da frente do olho fica como um vidro opaco», em que o doente apenas vê «luzes e algumas sombras», aclarou.

A doença é de difícil tratamento e, mesmo depois dos doentes tratados, «por vezes é necessário um transplante da córnea», frisou Joaquim Murta, salientando que com o novo tratamento pode ser possível «tratar das situações de forma rápida, sem se chegar a estados mais avançados», evitando-se o transplante.

O medicamento pode permitir «cicatrizar úlceras na córnea que, quando cicatrizavam, levavam a consequências na transparência da córnea», disse.

A queratite neurotrófica é «cada vez mais frequente», por se fazerem «mais cirurgias oculares agora do que antes», tendo como outras causas o aumento de alergias e as medicações locais nos olhos, referiu Joaquim Murta.

O ensaio clínico deve terminar no final do ano.