Componentes da levedura do pão podem ser a solução para evitar os efeitos tóxicos dos poluentes nas plantas que crescem em terrenos contaminados, segundo as conclusões de um estudo de cientistas portugueses.

A investigação, publicada hoje na revista Scientific Reports, centrou-se em dois genes da levedura do pão que permitem às plantas crescer mesmo rodeadas de poluentes que normalmente afetariam o seu crescimento, como metais pesados e elementos orgânicos libertados pela indústria, e restos de herbicidas e pesticidas agrícolas.

As estratégias atuais para descontaminar os solos são muito dispendiosas e nem sempre muito eficazes. Uma solução pode estar na ‘Saccharomyces cerevisiae’, a espécie de levedura usada para fermentar o pão, a cerveja e o vinho", afirma Paula Duque, do Instituto Gulbenkian de Ciência.

Usando uma planta herbácea chamada ‘Arabidopsis thaliana’ em que inseriram cada um dos dois genes estudados, os investigadores verificaram que se tornou mais resistente a herbicidas, fungicidas e metais pesados.

Estes dois genes de leveduras produzem proteínas capazes de expelir moléculas das células. Assim, formulámos a hipótese de que poderiam desempenhar um papel semelhante em plantas, eliminando as moléculas tóxicas e permitindo um crescimento vegetal normal", afirmou a investigadora do Instituto Gulbenkian, que colaborou com colegas do Instituto Superior Técnico.

O próximo passo é repetir a experiência para compreender melhor como estas plantas desenvolvem resistência, para descobrir se os resultados se repetem em plantas de interesse agrícola.

Mas os resultados obtidos com genes da espécie de levedura utilizada na produção do pão ou da cerveja são verdadeiramente promissores para a resolução de um problema ambiental sério", de acordo com Paula Duque.