Uma cientista física do Reino Unido acredita que a justificação para o que forma a aurora boreal está errada. A tese conhecida deve ser corrigida nos inúmeros livros que falam deste espetáculo oferecido pela natureza aos países que se encontram nas latitudes mais a norte.

Também conhecida como “luzes do norte”, a aurora boreal é considerada um dos eventos naturais mais espetaculares na Terra. A explicação tradicional para este fenómeno é atribuída a partículas transportadas por ventos solares que ao embaterem com o campo magnético foram um espectro de luz.

Para Melanie Windridge, se a formação da aurora boreal coincidisse com a explicação até agora conhecida, o fenómeno só poderia ser vísivel durante o dia, e isso não acontece.

Quanto às famosas “partículas”, estas não têm energia suficiente para criar uma luz tão intensa como a que se vê em alguns lugares dos países nórdicos.

Se elas [as partículas] viessem diretamente, isso aconteceria durante o dia e a aurora acontece à noite”, disse a cientista ao jornal The Independent. “Por isso há alguma coisa que as transporta para a parte da Terra onde está de noite.”

Depois de várias expedições às latitudes do norte para adquirir mais conhecimentos sobre a aurora boreal, a cientista escreveu um livro sobre este evento natural e apresentou-o no Festival da Ciência Britânica. Segundo Windridge, a parte-chave do processo está por descobrir, mas representa, certamente, uma maior contribuição do nosso planeta - mais especificamente dos seus campos magnéticos.

Os campos magnéticos protegem os seres vivos das radiações do sol. Sem estes elementos, acabaríamos por morrer.  

No campo magnético da Terra, as linhas aparecem e formam uma nova configuração, emitindo um grande volume de energia”, disse Windridge.

A energia emitida é a responsável por transportar as partículas provenientes do sol para o “lado negro” da Terra. Um vídeo produzido pela Nasa explica este processo.

A autora do livro “Aurora: Em Busca das Luzes do Norte” conversou com vários habitantes de localidades na Islândia, Suécia, Noruega e Canadá, pedindo que lhe explicassem o que leva à criação daquele efeito nos céus.

Um pastor de renas do norte da Noruega disse-me que a aurora era uma baby sitter natural”, contou a cientista. “Os pais diziam aos filhos que eles não podia chegar a casa tarde ou a aurora apanhá-los-ia.”

Embora tenha viajado muito, Windridge não conseguiu ver o fenómeno na sua totalidade.

“Ainda estou à espera da incrível iluminação de todo o céu”, comentou. “Ainda não consegui ver o fenómeno completo, mas estou a planear ir à Islândia em novembro”.