Um novo estudo concluiu que a maioria dos casos de cancro não dependem da sorte nem da genética, mas do ambiente. Os cientistas garantem que maior parte dos casos pode ser evitado, porque depende de exposição a componentes químicos tóxicos e radiação.

Os resultados vêm contrariar a investigação que afirmou, no início deste ano, que que a maioria dos cancros são originados de forma aleatória por mutações genéticas, independentemente do estilo de vida levado pelo paciente.

A mais recente pesquisa diz, contudo, que apesar de alguns casos raros de cancro poderem ser determinados pela “má sorte”, a grande maioria depende de fatores externos. Assim como é verdade que o cancro do pulmão é potenciado pelo tabaco, também outros cancros são desenvolvidos devido a fatores como a radiação, que afeta a divisão das células estaminais e favorece a sua multiplicação excessiva.

Segundo a BBC, os fatores externos têm um peso relevante em 70 a 90% dos casos.

De acordo com o The Guardian, o responsável pelo estudo, Yusuf Hannunm, e a sua equipa de investigadores provaram que o ambiente tem um papel fundamental no desenvolvimento da doença, ao detetar que as pessoas que migraram de regiões com um risco de cancro reduzido para locais onde este era elevado, depressa desenvolveram a patologia. A taxa de incidência da doença nestas pessoas era semelhante à de ocorrência de casos naquele ambiente.

Ao analisar estes padrões, os investigadores concluíram que as mutações que ocorrem no organismo e que favorecem o cancro têm muito mais peso se forem proporcionadas por fatores externos, do que pela divisão celular natural.

Segundo os resultados apurados, as mutações criadas durante a divisão das células raramente se acumulam até ao ponto de produzir cancro, mesmo em tecidos com uma grande divisão celular. Em muitos casos é necessária exposição a fatores externos para que a doença apareça.
 

“Os fatores externos têm um papel muito relevante e as pessoas não se podem escudar atrás da ‘má sorte’. Não podem fumar e dizer que foi ‘má sorte’ se tiverem cancro. É como um revólver, o risco intrínseco é uma bala. E se estivermos a jogar roleta russa, então pelo menos um em seis vai ter cancro – essa é a ‘má sorte’ intrínseca. 

Agora, o que um fumador faz é adicionar duas ou três balas ao revólver. E agora puxem o gatilho. Há ainda um elemento de sorte, porque nem todos os fumadores têm cancro, mas têm grandes probabilidades contra eles. Mas, do ponto de vista da saúde pública, queremos retirar da pistola o máximo número de balas possível”, afirmou Yusuf Hannunm.
 


De acordo com a BBC, a investigação está a ser rotulada pela comunidade científica como sendo “muito convincente”.

O problema é que há muitos fatores externos que ainda não foram ligados ao cancro e talvez muitos deles ainda não possam ser evitados.