O neurocientista Rui Costa testou em ratos o circuito neural do cérebro para tentar obter explicações para os motivo por que os humanos alternam, de forma rápida, entre ações automáticas e intencionais; uma experiência que pode abrir caminho ao controlo de comportamentos compulsivos.

Os resultados do trabalho do investigador da Fundação Champalimaud, feito em parceria com Christina Gremel, do Instituto Nacional de Alcoolismo e Abuso do Álcool, nos Estados Unidos, são publicados nesta terça-feira na revista «Nature Communications».

Numa experiência com ratinhos, a dupla inibiu a atividade dos neurónios do córtex orbitofrontal - área do cérebro envolvida na alternância de ações automáticas para intencionais. Os roedores tinham como tarefa carregar numa alavanca para terem uma recompensa: uma bebida doce (com sacarose).

Os investigadores concluíram que, quando a atividade dos neurónios do córtex cerebral orbitofrontal era inibida com uma droga, os ratinhos agiam automaticamente, por hábito: carregavam na alavanca, mesmo estando saciados.

A experiência, que terá de ser testada em humanos, revela dados importantes para o controlo de comportamentos compulsivos, uma vez que, explicou à Lusa Rui Costa, a atividade do córtex orbitofrontal está alterada na compulsão.

«A pessoa não controla intencionalmente certas ações», assinalou o neurocientista acrescentando que a meta do estudo será ver se pessoas com comportamentos compulsivos «têm uma predisposição maior para ficar sempre no hábito».