Um projeto de investigação desenvolvido pelo Instituto de Medicina Molecular e a start-up Lymphact quer começar os ensaios clínicos de uma célula capaz de destruir apenas células tumorais, sem toxicidade secundária.

Criadas para leucemias e linfomas, estas células «são capazes de reconhecer molecularmente a célula alvo [tumoral], poupando todas as células saudáveis», explicou Bruno Silva Santos, investigador principal do projeto, que foi apresentado esta quinta-feira, a convite, numa conferência em Coimbra, promovida pelo Health Cluster Portugal.

Os testes com ratos permitiram mostrar que os animais com «as DOT-Cells» ficam livres de células tumorais, numa terapia «que não tem efeitos secundários, em termos bioquímicos», sublinhou, afirmando que este tratamento poderá ter aplicação não apenas na leucemia, mas também «em tumores sólidos, como no cancro da mama ou da próstata».

Estas células são produzidas a partir de uma amostra de sangue do próprio doente, sendo depois injetadas em duas doses.

As DOT-Cells foram criadas com base na investigação realizada no Instituto de Medicina Molecular e na start-up Lymphact em duas fases, 2011 e 2015, permitindo uma nova terapêutica «sem toxicidade» e com «alta eficácia» na destruição de células tumorais, frisou.

A equipa de investigação, que com as células patenteadas montou a start-up Lymphact, está agora à procura de «investimento para começar os ensaios clínicos», avançou.

Para além deste projeto foram apresentadas outras investigações na área das neurociências e do cancro a convite do Health Cluster Portugal, entre elas a criação de uma molécula que pode combater o Alzheimer ou a utilização de nanopartículas para recuperar o tecido lesionado e melhorar as funções motora e cognitiva após um AVC.