Uma equipa de investigadores do IPATIMUP e do Instituto Superior Técnico foi distinguida pela associação americana de doentes No Stomach For Cancer, recebendo 25 mil euros para desenvolver testes genéticos de cancro gástrico.

Em comunicado enviado à Lusa, o Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP) explicou que o projeto em causa “visa melhorar a capacidade de interpretação funcional de mutações germinativas” do gene da caderina-E, ligada ao cancro gástrico.

A investigadora do IPATIMUP Raquel Seruca disse à Lusa ser uma “honra imensa que uma associação de doentes americana reconheça uma equipa portuguesa para fazer testes não só para os EUA como oferecer estes testes mundialmente”.

Raquel Seruca explicou que os testes em causa, oferecidos gratuitamente a qualquer instituição mundial que o peça, permitem avaliar o valor das mutações germinativas numa pessoa e, assim, “se vão ou não causar cancro”.

“O cancro gástrico é a quarta causa mais comum de cancro no mundo e o cancro hereditário é uma forma genética de cancro do estômago. Apesar de não ser muito frequente é clinicamente obrigatório identificar possíveis portadores genéticos da doença”, acrescentou o comunicado do IPATIMUP.


De acordo com o instituto, em cerca de 20% dos casos “os testes genéticos não dão uma resposta conclusiva e os clínicos não podem aconselhar as famílias adequadamente”, daí que este trabalho procure agora “colmatar essa limitação”, cita a Lusa.

No ano passado, a No Stomach For Cancer havia já premiado a investigadora Carla Oliveira, também do IPATIMUP, num projeto conjunto com um investigador do Canadá.

Agora, pela primeira vez, é distinguida uma equipa composta apenas por elementos portugueses: Raquel Seruca e Joana Paredes, do IPATIMUP, e João Sanches, do Instituto de Sistemas e Robótica e do Departamento de Bioengenharia do Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa.