As temperaturas extremas dos próximos dias são “um aviso” e a tendência é para o fenómeno se repetir, diz o especialista Filipe Duarte Santos, acrescentando que em 2050 os “picos” de calor podem atingir aos 55 graus.

As previsões para França são de que as temperaturas máximas em 2050 serão da ordem dos 55 graus. Em Portugal provavelmente serão as mesmas ou até mais altas”, disse o especialista em alterações climáticas, presidente do Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável.

Com essas temperaturas, disse em declarações à Lusa a propósito da onda de calor (mais de 45 graus em alguns locais) prevista para esta semana, será “muito difícil fazer o que quer que seja ao ar livre”, e haverá “implicações muito significativas na vida das pessoas e nas economias”.

Chame-se onda, vaga ou pico de calor, uma questão semântica segundo Filipe Duarte Santos, a verdade é que, diz, o clima mudou devido ao aquecimento global, provocado pela libertação de gases com efeito de estufa, que tem aumentado devido às atividades humanas.

Esta é uma evidência, nas palavras do responsável, apesar de países como os Estados Unidos negarem a relação entre o uso de combustíveis fósseis e as alterações climáticas, até para “não fazer baixar os preços das ações das companhias petrolíferas”.

Como é uma evidência, científica, que a temperatura média mundial aumentou um grau desde a época pré-industrial. Em Paris, praticamente todos os países do mundo assinaram um acordo para não deixar que a temperatura suba mais de dois graus, pelo que Filipe Duarte Santos avisa: “Já usámos um grau, não podemos usar mais do que mais um grau”.

A verdade é que estes picos, ondas ou vagas de calor, diz, são “uma coisa nova” que se vai agravar, estando nas mãos das pessoas do mundo minimiza-los, porque que vão ter de decidir entre cumprir o acordo de Paris e ir deixando de usar combustíveis fósseis, ou nada fazer e ter cada vez mais temperaturas muito elevadas, chuvas muito intensas, secas e subida do nível da água do mar.

E os avisos estão por todo o lado. Filipe Duarte Santos fala de Omã, com 52 graus, mas fala também dos valores máximos que se batem na Finlândia, dos grandes incêndios na Suécia, Reino Unido ou Estados Unidos, dos 31 graus na Noruega.

E se nada for feito o clima tornará o planeta mais inóspito. Diz o especialista que as economias mais desenvolvidas terão mais facilidade para se adaptarem à alterações. Mas a incapacidade dos pobres em se adaptarem terá consequências, uma delas nas migrações.