Um grupo de cientistas britânicos apresentou, esta quarta-feira, evidências do massacre humano mais antigo da história. A descoberta que contribui para o debate sobre as razões pelas quais os seres humanos fazem guerra.
 
De acordo com a equipa de cientistas da Universidade Cambridge, liderada por Marta Mirazón Lahr e Robert Foley, o mais antigo massacre da História ocorreu há 10 mil anos, no Quénia quando um pequeno grupo de homens, mulheres e crianças terão capturados por um clã rival, amarrados e espancados até à morte. Os seus restos mortais foram depositados numa lagoa, na jazida de Nataruk, a sudoeste do lago Turkana, e preservados em sedimentos por milénios.
 
De acordo com a revista Nature, a descoberta revela que as guerras podem ter começado pelo menos 4 mil anos antes do que o inicialmente imaginado pelos cientistas. Até agora, a guerra tinha sido vinculada com grupos que já tinham dominado a agricultura ou com sociedades hierarquizadas e sedentárias.
 

"O mais importante da descoberta de Nataruk não é a data, pois acredito que a violência intergrupal pode ser até mais antiga. Mas sim o fato de o conflito ter ocorrido entre dois grupos de caçadores coletores", afirma Marta Mirazón Lahr.

 
No Quénia, os cientistas analisaram 27 fósseis humanos achados em 2012. Eram os cadáveres de 21 adultos, seis crianças menores de 6 anos e um adolescente com idade entre os 12 e os 15 anos. Uma das mulheres vítimas de tortura estaria grávida de oito meses, já que tinha um feto com essa idade de gestação na sua cavidade abdominal.
 
Dez dos esqueletos apresentavam marcas de impacto, presumivelmente provocadas por flechas, ou fraturas provocadas por golpes. Dois dos esqueletos estavam de mãos atadas, o que indica que presumivelmente estariam amarrados quando morreram.