Depois de ter sido divulgado que a Apple tornava os iPhones antigos mais lentos de forma intencional para resolver os “problemas de saúde” das baterias, a indignação correu as redes sociais.

Acusada de não ter sido transparente com os seus clientes, a gigante tecnológica pediu desculpa, num comunicado divulgado no seu site, e lançou uma campanha de descontos para a substituição de baterias. Uma campanha que permite aos utilizadores norte-americanos substituir a bateria por 29 dólares, quando antes custava 79 dólares - um desconto de 50 dólares.

Ora, sabe-se agora que, em Portugal, o desconto é ainda maior: em causa está uma diferença de 70 euros. Uma bateria que custava 99 euros pode ser adquirida por 29 euros. Mas o que é preciso fazer, afinal?

Os utilizadores podem usufruir desta campanha nos centros de assistência autorizados da Apple em Portugal. É válida para os modelos a partir do 6, até ao último, o iPhone X, mas só para os aparelhos que tenham as baterias originais.

Mediante estas condições, o cliente tem de dirigir-se a um dos centros de assistência onde é feito um teste à saúde da bateria do telemóvel, de forma gratuita. O resultado desta avaliação vai indicar se a bateria deve ou não ser substituída. Mas depois de termos contactado diferentes lojas percebemos que, mesmo que a bateria supere o teste, o cliente pode escolher substitui-la na mesma pelo valor promocional. Só aos equipamentos com garantia é que é exigido que a bateria falhe o teste. 

Importa aqui dizer que substituir uma bateria da Apple é um processo que pode ser demorado, como reconhecem os próprios centros autorizados da marca. É que caso não haja stock em loja, uma bateria pode demorar quatro a cinco dias úteis a chegar, após ser feita a encomenda. "Estas baterias não podem ser transportadas de avião, por razões de segurança", explicou Ricardo Pereira de Sousa, diretor de um dos centros que presta este serviço.

Este processo é tratado de forma diferente de loja para loja. Há centros de assistência onde é necessário deixar o aparelho durante esse período, mas há outros onde pode encomendar a bateria e só depois de a mesma ter chegado levar o telemóvel para proceder à sua substituição. E nos casos onde não tem de deixar o telemóvel vários dias, também há políticas diferentes: há lojas que, para assegurar que os clientes não desistem da nova bateria podem cobrar uma caução superior ao valor do produto no momento da encomenda (sendo depois a diferença devolvida no final) e há lojas em que o cliente paga, no ato da encomenda, apenas o valor da bateria. O melhor é contactar os centros perto de si para perceber qual é a prática em cada um deles. 

Acontece que, recentemente, a Apple anunciou que uma nova atualização do software vai incluir uma ferramenta através da qual os utilizadores vão poder escolher se querem ou não reduzir o desempenho dos processadores, mediante o estado de saúde da bateria. Ou seja, com essa ferramenta, os utilizadores vão pode consultar o estado das baterias e escolher se querem ou não ter a performance total do aparelho. 

Por este motivo, muitos utilizadores do iPhone têm lançado a questão: valerá a pena aproveitar já a campanha e substituir a bateria ou esperar pela nova atualização? 

Ora, tudo depende do estado da bateria e do uso que cada cliente dá ao aparelho. A verdade é que esta campanha é válida até ao final de dezembro, pelo que se a bateria ainda não está de tal modo desgastada ao ponto de fechar aplicações ou fazer o telemóvel desligar-se abruptamente, à partida o cliente poderá esperar pela nova atualização e, mais tarde, até ao final do ano, decidir se quer ou não usufruir da campanha. O caso pode mudar de figura se a bateria estiver mesmo deteriorada e o cliente tiver urgência em substituí-la. É que a Apple ainda não anunciou uma data para esta nova atualização de software.

Em todo o caso, os especialistas deixam o alerta: com uma bateria pouco saudável, a utilização da performance total do aparelho pode gastar ainda mais a bateria. 

É como um carro com pouca gasolina. Se escolher andar a 200km/hora, vai ficar sem gasolina muito depressa”, sublinhou Ricardo Pereira de Sousa, diretor de um dos centros autorizados da Apple em Portugal, em declarações à TVI24.