As grandes barbas, que tanto estão na moda, podem ser muito pouco higiénicas, se não receberem a atenção apropriada. O aviso é deixado por uma equipa de reportagem de um canal norte-americano que foi para a rua “testar” a sujidade de algumas barbas, e encontrou resultados um tanto “perturbadores”.

A jornalista escolheu alguns cidadãos em Albuquerque, Estado do Novo México, EUA, e passou cotonetes nos pelos faciais, que depois foram analisados num laboratório.

O microbiologista John Golobic, que analisou as amostras, não queria acreditar nos resultados.

“Não me impressiono facilmente e desta vez fiquei surpreso”, disse Golobic ao “Action 7 News”.

Muitos dos sujeitos analisados tinham uma concentração de bactérias na barba considerada “normal”, facilmente encontradas na pele de outras zonas do corpo, porém noutros o caso era bem diferente: havia mais bactérias do que se encontra normalmente numa sanita, e, exatamente, o género de bactérias que se encontra numa sanita.

“Este é o género de bactérias que se encontra em [fezes]”, disse o microbiologista enquanto segurava uma das amostras com mais bactérias.


No entanto, Golobic avisa que estes resultados não significam que manter uma barba cause risco para a saúde. O microbiologista alerta, apenas, que a barba deve receber tanta atenção na altura da higiene como outras zonas do corpo para evitar a acumulação destes germes. E deixa ainda outro conselho: as mãos devem ser limpas e devem tocar na barba o menos possível.

“Havia um nível de falta de higiene um pouco perturbador. (…) Tentem manter as mãos longe da cara o mais possível”, acrescentou.


Apesar do baixo risco para a saúde, Golobic deixa o aviso: se a mesma concentração de bactérias fosse encontrada na rede de distribuição de água, esta teria de ser desinfetada imediatamente.

No entanto, a comunidade científica divide-se neste tópico. Enquanto alguns investigadores corroboram a ideia de que uma barba pode potenciar a acumulação de bactérias, outros afirmam que não há razão para preocupações, uma vez que há sempre bactérias na pele, a maioria inofensivas, ou até benéficas para a saúde.

Carol Walker, tricologista (ramo que estuda os pelos e cabelos) consultora no Centro de Tricologia de Birmingham, Inglaterra, ouvida pelo Daily Mail, diz que os pelos e cabelos “acumulam germes”, especialmente se estiverem perto das “narinas ou boca”.

Já Hugh Pennington, professor emérito em bacteriologia na Universidade de Aberdeen, Escócia, afirma que esses germes e “bactérias” são os mesmos que “estão na pele. Não causam problemas e não têm riscos para a saúde”.