Venda de drogas, tráfico de órgãos e pedofilia são os principais assuntos da «Internet profunda», um mercado negro onde tudo se compra e se vende e onde pedófilos protegidos pelo anonimato divulgam guias para se ter sexo com menores.

Segundo a agência Efe, o lado mais perverso do ser humano tem o seu lugar na «dark net», uma parte da «web profunda», à qual os simples utilizadores não podem aceder pelo Google ou pelo Yahoo.

Para chegar à Internet profunda é preciso um navegador diferente, como o «The Onion Router» (TOR), que nasceu no Laboratório de Pesquisa Naval dos EUA como uma forma de criar comunicações seguras para os militares.

Em entrevista à EFE, o editor do blogue «SecurityByDefault», Yago Jesús, indicou que o TOR está estruturado em nós ou camadas (o seu símbolo é uma cebola vermelha), para que o usuário vá saltando de uma camada para a outra, coberto por uma camada criptográfica que impede que o servidor de destino conheça o seu endereço IP.

O responsável pelo Grupo de Crimes Telemáticos da Guardia Civil espanhola, comandante Óscar De La Cruz, reconheceu que isto dificulta a investigação, embora possa ser localizado o nó de onde sai o usuário.

Venda de drogas ou armas e assassinos que se oferecem para serem contratados são alguns dos principais assuntos da «web profunda» que, de acordo com De La Cruz, se tornou, infelizmente, num nicho de distribuição de pornografia infantil.

O comandante explicou que este lado negro está escondido em fóruns e comunidades nos quais os pedófilos socializam e chegam a pensar: «Se há centenas ou milhares de pessoas que sentem o mesmo que eu, que gostam de crianças, pois se calhar não é tão mau».

Yago Jesus aponta que este vínculo empático também é reforçado pelo anonimato desses sites, onde «podem ser lidas coisas muito fortes», como, por exemplo, guias detalhados de «como obter um menor no Vietname, como se se tratasse de um guia para instalar um software num PC».

Esta mesma socialização para cometer atos «estranhos» ocorre em fóruns de automutilação e em páginas nas quais se promove a bulimia ou a anorexia e onde são dados conselhos sobre como evitar que a família descubra a doença.

Além de pornografia infantil, a «web profunda» hospeda um «e-Bay» de corrupção, drogas e armas, que são vendidas como se fosse uma «loja de sapatos», nas palavras de Jesus Yago.

Os utilizadores realizam o pagamento através de «bitcoins», uma moeda eletrónica anónima, e os clientes, «se tiverem feito um bom negócio, com a arma ou as drogas certas, podem avaliar o vendedor».

Apesar da variedade de anúncios, De La Cruz alertou que na maioria das vezes são «fraudes», especialmente os anúncios de tráfico de órgãos humanos.

«Aproveitam-se do facto de um cidadão estar a pedir um serviço que é ilegal, pelo que não vai reclamar de nada», observou.