Os gigantes tecnológicos estão a investir em inovações viradas para a saúde através dos chamados dispositivos «wearable», que podemos usar no corpo, e a Apple parece estar a apostar forte nesse campo. A criadora do iPhone está a construir uma equipa de executivos especializados em tecnologia médica, noticia a Reuters, deixando entender que passam por aí os planos para o iWatch, o próximo grande lançamento da empresa, bem como para outro tipo de tecnologia «wearable».

A companhia criada por Steve Jobs e dirigida agora por Tim Cook tem contratado ao longo do último ano uma série de especialistas em biomedicina em várias empresas do ramo, diz a Reuters, que seguiu os perfis desses executivos na rede social profissional Linkedin.

Nenhum deles quis fazer comentários, mas várias pessoas que trabalham na área dizem que claramente a Apple está a enveredar pelo caminho dos dispositivos com capacidade para monitorizar a saúde, bem para além dos aparelhos já no mercado, mais orientados para o fitness. Tecnologia que permite controlar sinais vitais como a tensão arterial ou a pulsação, mas também os níveis de açúcar no sangue, por exemplo.

Muita desta investigação pode ser orientada para o iWatch, um produto que está a gerar muita expectativa, numa companhia pressionada para voltar a criar algo de novo, o que não acontece desde o lançamento do iPad, em 2010.

Mas um executivo contactado pela Reuters também revelou, depois de ter tido uma reunião com responsáveis da Apple, que a empresa tem ambições para lá dos dispositivos «wearable» e o plano passa pela criação de uma plataforma dedicada a tecnologia de saúde e fitness, uma espécie de loja de aplicações que permita aos utilizadores desenvolverem o seu próprio software e dispositivos.

A ideia de que a empresa está a apostar forte na área é reforçada pela informação, divulgada em janeiro pelo New York Times, de que a Apple se reuniu com a Food and Drugs Administration (FDA), a entidade norte-americana responsável pela saúde e medicamentos.

A FDA anunciou no final do ano passado que ia concentrar-se em regulamentar o movimento de adaptação dos smartphones e outros aparelhos a dispositivos médicos.

O movimento na direção dos «wearables» e da tecnologia adaptada à saúde é comum aos vários gigantes tecnológicos. A Google, lembra a Reuters, já lançou uma versão de Android para dispositivos que podemos usar no corpo, sejam relógios sejam outro tipo de aparelhos, o Android Wear. E está a explorar vários dispositivos com finalidades médicas, como lentes de contacto que consigam monitorizar os níveis de glucose através das lágrimas.