O Twitter está a permitir que o abuso e a violência online contra as mulheres cresça, pelo que denuncia um relatório da Amnistia Internacional, que resulta de uma investigação feita ao longo de 16 meses. 

Precisamente neste dia em que se comemoram 12 anos desde o primeiro tweet, a Amnistia adverte para o "fracasso" da empresa no que toca a evitar esses abusos.

O relatório #ToxicTwitter: Violence and abuse against women online  mostra que "a empresa não respeita os direitos humanos das mulheres, devido à sua resposta inadequada e ineficaz à violência e ao abuso" e faz "uma série de recomendações concretas sobre como o Twitter pode tornar-se um lugar mais seguro para as mulheres". A investigadora da Amnistia Internacional Azmina Dhrodia descreve os problemas e as consequências. O relatório mostra exemplos concretos.

As mulheres têm o direito de viver livre de discriminação e violência, tanto online como offline. Mas ao deixar o abuso contra as mulheres florescer, o Twitter está a prejudicar esses direitos. Apesar das repetidas promessas de limpeza da plataforma, muitas mulheres entram no Twitter e encontram encontrar ameaças de morte, ameaças de violação, racistas ou homofóbicas que destroem a sua autoestima"

Relatório Amnistia Internacional

 

Relatório Amnistia Internacional

A investigação condena o facto de a rede social recusar-se a "compartilhar" dados "significativos" sobre como lida com este tipo de relatórios, ao que o Twitter responde que esses dados "não são informativos", nem costumam ser usados por terceiros com as finalidades corretas.

Embora ainda no início de março o presidente executivo, Jack Dorsey, se tenha comprometido a envidar maiores esforços para melhorar a saúde das conversas na plataforma, para a Amnistia "precisa de fazer muito mais para respeitar os direitos humanos das mulheres".

"Não podemos eliminar o ódio e o preconceito"

Nas quatro cartas trocadas entre a Amnistia Internacional e o Twitter (leia na íntegra mais abaixo), a rede social não se mostra de acordo com as queixas que lhe são apontadas, argumentando que já pôs em prática mais de 30 mudanças na plataforma, precisamente nos últimos 16 meses, para melhorar a segurança e aumentar o controlo face a tweets que possam ser considerados abusivos. Mas dá também o argumento de que não faz milagres:

[O Twitter] não pode eliminar o ódio e o preconceito da sociedade" 

A mesma investigadora da Amnistia faz notar que não se está a pedir à rede social "para resolver os problemas do mundo", mas sim que tome "medidas concretas que demonstrem verdadeiramente que o abuso contra as mulheres não é bem-vindo no Twitter". 

As políticas do Twitter proíbem a violência e o abuso contra mulheres e os utilizadores podem sinalizar contas ou tweets que estão a violar esta política.

Porém, o relatório hoje divulgado salienta que a rede social não permite que os utilizadores saibam como interpreta e reforça essas políticas ou os critérios que estão na base do controlo que vai sendo feito.

O relatório conclui que [esse controlo de abusos] é inconsistente ou às vezes nem há mesmo resposta, significando que o conteúdo abusivo permanece na plataforma apesar de violar as regras".

Relatório Amnistia Internacional
Relatório Amnistia Internacional

Daí que, repetidamente ao longo do relatório, aquela organização internacional inste o Twitter" a assumir as suas responsabilidades e a providenciar soluções" para que a experiência das mulheres na rede social seja "menos tóxica, mais livre e mais segura".

O relatório é baseado numa investigação quantitativa e qualitativa, realizada nos últimos 16 meses. Foram realizadas entrevistas com 86 mulheres e outros indivíduos incluindo políticos e jornalistas, no Reino Unido e nos EUA.

Amnesty Letter to Twitter 26 Jan 2018 by VanessaCruz on Scribd

 

Twitter Letter to Amnesty14 02 2018 by VanessaCruz on Scribd

 

Amnesty Letter to Twitter 12 March 2018 by VanessaCruz on Scribd

 

Twitter Letter to Amnesty Int 15 03 2018 by VanessaCruz on Scribd