Investigadores do programa MIT Portugal desenvolveram um pequeno sensor que, colocado nas embalagens de alimentos, pode ajudar os consumidores a perceber se têm determinado produto na despesa ou no frigorífico e qual o seu estado de conservação.

A informação acerca dos alimentos pode ainda ser consultada nos telemóveis, no decorrer das deslocações ao supermercado ou à praça, contribuindo para compras racionais e para a redução do desperdício alimentar.

"É como se fosse um selo de correio, com moléculas muito pequenas que se tornam sensores e reagem a variações de temperatura, exposição à luz e à humidade, assim como a outras propriedades dos alimentos", avançou esta terça-feira à agência Lusa Tiago Cunha Reis.


O investigador do programa doutoral MIT Portugal, resultado de uma parceria com a universidade norte-americana MIT, explicou que o "selo de correio" pode ser colocado em qualquer embalagem, seja uma garrafa de vidro ou de cartão, como um pacote de leite. O investigador já apresentou o seu trabalho no MIT, nos EUA.

Tem a capacidade de reter informação sobre a qualidade do produto através da leitura daquelas variáveis, mas também de registar esses dados, o que permite recebe-la comunicando, por exemplo, com um telemóvel, com uma aplicação mobile também já desenvolvida, como especificou Tiago Cunha Reis.

"Em qualquer momento e em qualquer lugar sei qual o produto que tenho e qual o seu estado de conservação. "


A análise do sensor, relatou, vai além da informação do prazo de validade do alimento, ao ter em conta "todas as variáveis que atuaram sobre o produto, desde o seu ciclo de produção, distribuição e consumo, e faz um cálculo que reflete o seu estado" de conservação, através de uma percentagem de zero a 100 em que 100 é o melhor.

Assim, quando o consumidor vai ao supermercado pode receber informação do que tem na despesa ou no frigorífico e qual o seu estado de conservação, de modo a gerir de forma sustentável as compras.

Esta é uma forma de ajudar a fazer compras racionais e a reduzir o desperdício, realçou Tiago Cunha Reis.

Ao deparar-se com uma situação de desperdício de alimentos por estarem deteriorados, num porto, o investigador começou a trabalhar num pequeno protótipo, falou com algumas pessoas para receber comentários sobre as tecnologias, e com produtores de vinho, ovos ou lacticínios e desenvolveu um produto em função das "especificações dos potenciais clientes".

Assim foi desenvolvido o produto que "já está completamente construído" e está prevista a entrada no mercado ainda em dezembro.

Este projeto, através da Mater Dynamics, entidade criada para trabalhar o produto, foi distinguida na semana passada, na 4ª edição do projeto de empreendedorismo do Expresso e da EDP ao receber um prémio de 20 mil euros.