A multinacional portuguesa Active Space Technologies participa num consórcio europeu responsável pela construção de um radiador para satélites, que, mantendo as suas funções, desdobra-se apenas no espaço, para que possa ser mais fácil de transportar num foguetão.

O projeto, a desenvolver até janeiro de 2018, tem um custo de 3,5 milhões de euros, suportado pelo Horizonte 2020, programa comunitário de incentivo à ciência e inovação, indicou a empresa.

À companhia portuguesa, especialista em tecnologia aeroespacial, com sede em Coimbra, cabe a conceção mecânica do modelo do radiador, disse hoje à Lusa o gestor do projeto na Active Space Technologies, João Neto.

O responsável referiu que, tal como os painéis solares que alimentam os satélites de energia, e desdobram-se no espaço, o radiador, peça essencial para dissipar o calor gerado pelo funcionamento dos diferentes componentes eletrónicos dos satélites, será concebido para desdobrar-se em órbita, atendendo a que os foguetões, que transportam os satélites, «têm espaço limitado» e, por isso, condicionam o tamanho e as potencialidades de desempenho dos equipamentos.

Sem esse radiador, cujo protótipo será testado primeiro em Terra e depois num voo espacial, os componentes do satélite sobreaquecem e comprometem o seu funcionamento.

Segundo João Neto, a agência espacial europeia (ESA), da qual Portugal é um dos países-membros, está empenhada neste projeto e necessita, na próxima década, deste tipo de radiadores para satélites.

Do consórcio europeu fazem, ainda, parte multinacionais espanholas e francesas ligadas à indústria aeroespacial.

A Active Space Technologies está envolvida noutro projeto, o da sonda BepiColombo, a lançar em janeiro de 2017 para estudar o planeta Mercúrio, numa missão conjunta da ESA e da congénere japonesa, a JAXA.

A multinacional portuguesa concebeu a estrutura mecânica e o isolamento térmico de um dos instrumentos da sonda.