A investigadora Elvira Fortunato conseguiu um financiamento de 3,5 milhões de euros que permitirá instalar um laboratório com o qual a espera poder apresentar um trabalho de referência internacional, anunciou a própria.

A investigadora, do Departamento de Ciência dos Materiais da Universidade Nova de Lisboa, obteve uma bolsa do Conselho Europeu de Investigação (ERC), com o valor máximo de 3,5 milhões de euros, atribuído pela primeira vez para Portugal, de acordo com a informação divulgada em comunicado.

Elvira Fortunato, que dirige o Centro de Investigação de Materiais do Laboratório Associado i3N, afirma em declarações citadas no documento que se trata de “um sonho tornado realidade”, depois de ter submetido, no ano passado, a proposta agora contemplada.

Com o projeto - intitulado “Multifunctional Digital Materials Platform for Smart Integrated Applications” – DIGISMAT” – propõe-se revolucionar não só a forma como se fabricam os circuitos integrados e componentes de eletrónica, sem recurso ao silício e explorando materiais “amigos do ambiente com propriedades excecionais à nano escala”, mas também a possibilidade de ter o mesmo dispositivo a desempenhar mais do que uma função.

Um dos principais aspetos subjacentes a todo o projeto é a utilização de materiais sustentáveis e “tecnologias amigas do ambiente”.

A ideia, explica a investigadora, não é fazer a integração de vários componentes para uma determinada função, mas sim ter um só dispositivo capaz de desempenhar várias funções: função integrada vs circuito integrado.

Trata-se da segunda Advanced Grant atribuída a Elvira Fortunato. A primeira foi na primeira edição, em 2008, e teve o valor de 2,5 milhões de euros, com um projeto que permitiu instalar um laboratório de nano fabricação.

“Com esta segunda bolsa irá ser instalado um laboratório de nano caracterização avançada, que esperamos vir também a ser uma referência internacional”, lê-se no comunicado emitido pela investigadora.

Elvira Fortunato licenciou-se em Engenharia Física e dos Materiais em 1987 e é uma das cientistas portuguesas mais premiadas.