O Presidente da República manifestou hoje o seu pesar pela morte do guitarrista dos Xutos & Pontapés, Zé Pedro, que classificou como um "guerreiro da alegria" e "da vontade de viver".

Era um guerreiro da alegria, da vontade de viver, de superar dificuldades, de nunca desistir. Chegou cedo demais o descanso deste guerreiro, que certamente não será esquecido por tantos e tantos amigos que deixou".

Numa mensagem colocada no site da Presidência da República, Marcelo Rebelo de Sousa manifestou o seu pesar a "toda a família e amigos do Zé Pedro", lembrando que o músico "era assim afetuosamente tratado por todos os portugueses".

Marcelo recorda que "os seus primeiros passos na música coincidiram com o despertar do país para o movimento punk, tendo mais tarde fundado uma das maiores bandas de rock de Portugal, e sobretudo uma das que mais tempo sobreviveu e acompanhou várias gerações".

Costa: "O carisma e a elegância do rock"

O primeiro-ministro, António Costa, também lamentou a morte do guitarrista, considerando que personificou como poucos, para várias gerações de portugueses, "o carisma e a elegância do rock" para "gerações e gerações de portugueses".

"Deixa uma marca indelével no panorama musical português"

O ministro da Cultura, Luís Filipe de Castro Mendes, emitiu uma nota de imprensa lamentando "profundamente" a morte do músico, enaltecendo como“contribuiu de forma decisiva e inovadora para o sucesso continuado de uma das mais prestigiadas bandas rock nacionais”.

O seu entusiasmo, carisma e empatia deixaram uma marca indelével no panorama musical português, com músicas que acompanharam várias gerações, que o admiram com reconhecida ternura”.

“Dotado de um sentido musical notável, a música foi o seu sonho desde cedo e com ela conseguiu transformar o universo do rock português, a par da vida de muitos milhares de pessoas”, afirma ainda Castro Mendes, que traça o percurso do guitarrista “desde os ensaios na garagem de casa do seu avô, ainda adolescente, até aos dias de hoje, em grandes palcos portugueses e estrangeiros”.

Jorge Sampaio: "Deixa um vazio irreparável"

O ex-Presidente da República Jorge Sampaio, num depoimento enviado à agência Lusa, faz a história da sua relação com os Xutos & Pontapés.

A partida do Zé Pedro deixa um vazio irreparável, mas quero crer também que a força da Banda vencerá mais esta prova. Hoje, quero apenas prestar a minha sincera homenagem ao Zé Pedro e manifestar toda a minha solidariedade para com a família próxima e a alargada, a dos Xutos que é, afinal, um pouco também, a de nós todos”

Jorge Sampaio, que assinou o prefácio do álbum “Aqui Xutos & Pontapés, 35 anos”, de Rolando Rebelo, editado em 2014, conta que, “há uns largos meses atrás" teve "o gosto de falar com o Zé Pedro por telefone, para o desafiar a participar num concerto solidário em prol do projeto humanitário de apoio a estudantes sírios".

"Não foi surpresa a sua imediata adesão à causa, antes confirmou o que sempre soube e tive por certo, que os Xutos são diferentes, únicos e incontornáveis”, recorda Jorge Sampaio, que afirma que “foi com muita mágoa que soube" da morte do artista.

"Em 1979, na Amadora, irrompi pelo Pavilhão desportivo onde decorria uma sessão de ensaio dos Xutos. Foi assim que conheci o Zé Pedro pessoalmente, bem como ao Tim, ao Kalú e ao Zé Leonel… afinal erámos então, eles e eu, iniciantes, e estávamos a encetar as nossa carreiras, eles na música, eu na política”, recorda o político socialista. “Desta coincidência resultou, digamos, uma afeição que me levou a nunca mais perder de vista a trajetória e percurso musical dos Xutos”.

Os Xutos são um caso verdadeiramente à parte no panorama do rock português e, diria mesmo, da música portuguesa em geral. Sempre admirei a sua capacidade de fazer pontes e entrecruzar pessoas, gostos, grupos, gerações bem como o seu talento e inesgotável aptidão para unir pela música e pelo som, para fazer pensar com as suas letras e contagiar multidões”.