O professor universitário Xavier Viegas disse esta quinta-feira que tem havido, em Portugal, “um esforço muito grande” para melhorar a segurança das pessoas no combate aos incêndios e defendeu mais formação para evitar tragédias nesta área.

“Há muitas mortes que podíamos evitar. As lições dos acidentes graves, como o que vitimou 16 pessoas em Águeda, em 1986, ainda não foram devidamente assimiladas”, afirmou Domingos Xavier Viegas à agência Lusa.

O investigador da Universidade de Coimbra (UC) falava a propósito de um curso sobre segurança pessoal no combate aos incêndios florestais que a Associação para o Desenvolvimento da Aerodinâmica Industrial (ADAI), a que preside, vai promover na sexta-feira, no Departamento de Engenharia Mecânica da UC.

“O mais importante é a segurança pessoal dos bombeiros, outros operacionais e população”, disse, sublinhando que, apesar dos avanços registados, "todos os anos morrem pessoas” no combate aos fogos.

Ao realizar o curso de segurança pessoal, através do Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais (CEIF), a equipa liderada por Xavier Viegas quer “ajudar a evitar estas ocorrências”.

A iniciativa conta com 120 participantes, que pagam 65 euros cada, sobretudo bombeiros, técnicos florestais, autárquicos e de proteção civil, sapadores, produtores florestais e investigadores, do Continente e das regiões autónomas.

O curso realiza-se pouco antes do 30.º aniversário do acidente que, em 14 de junho de 1986, matou 16 pessoas na zona de Águeda, durante um incêndio florestal.

Esta tragédia será um dos casos analisados na formação, a par de outros mais recentes, como as mortes registadas no verão de 2013, “a fim de ajudar os participantes a assimilar as lições que se devem retirar (…) em benefício da segurança das pessoas que possam estar envolvidas no combate a um incêndio ou que sejam afetadas pela sua ocorrência”, segundo uma nota da ADAI.

“No período da manhã, serão abordados alguns tópicos fundamentais relacionados com o comportamento do fogo, com os equipamentos de proteção e com as regras básicas de segurança”, adianta.

A tarde será reservada à apresentação de casos de estudo, decorrentes da investigação do CEIF “relativamente a acidentes ocorridos em incêndios florestais”, em Portugal e no estrangeiro.

O curso de segurança pessoal é organizado regularmente pelo CEIF, “a fim de complementar a formação dos técnicos na temática da segurança, servindo para alguns como abordagem inicial e, para a maioria, como uma reciclagem da formação que já adquiriram” neste domínio.

O secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, deve presidir à sessão de encerramento, prevista para as 17:00.