«Absolutamente inqualificável e inaceitável». É assim que o presidente da Câmara de Évora qualifica a inoperacionalidade da Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) do hospital da cidade, que ainda há dois dias não socorreu um doente a tempo e ele acabou por morrer.

«Já tomámos uma posição firme sobre esta matéria, denunciando uma situação que é absolutamente inqualificável e inaceitável, sobretudo quando se repete regularmente», disse à Lusa Carlos Pinto de Sá.

«Não é admissível que a VMER, que serve exatamente para casos de emergência, não esteja em condições operacionais para responder a esses casos», reforçou.

A situação «decorre pura e simplesmente de políticas que têm em vista cortes orçamentais». «Se o problema não for resolvido, vai continuar a repetir-se, o que é lamentável, para além de ser um atentado aos direitos dos cidadãos», ripostou.

Além de um processo de averiguações aberto pela Administração Regional de Saúde (ARS) do Alentejo, também a Inspeção Geral das Atividades em Saúde (IGAS) está a investigar o caso, adiantou à Lusa fonte do Ministério da Saúde.

Este é o terceiro caso conhecido, envolvendo vítimas mortais, em que a VMER de Évora está indisponível quando é solicitada para uma situação de emergência, depois de, em abril deste ano, não ter participado no socorro a dois homens que sofreram um acidente, perto de Reguengos de Monsaraz, e que acabaram por falecer.

Também no dia 25 de dezembro de 2013, a VMER estava inoperacional quando um acidente na Estrada Nacional (EN) 114, entre Évora e Montemor-o-Novo, que envolveu dois automóveis e um cavalo, provocou quatro mortos e quatro feridos graves.