O Ministério Público instaurou um inquérito para investigar as circunstâncias da morte de mais uma vítima, além das 64 já assumidas oficialmente, do incêndio de Pedrógão Grande.

Segundo uma nota hoje emitida pela Procuradoria-geral da República, foram identificadas 64 vítimas mortais no inquérito que foi instaurado no momento em que foi conhecido o incêndio de Pedrogão Grande.

“Foi ainda instaurado um outro inquérito com vista à investigação das circunstâncias que rodearam a morte de mais uma vítima no âmbito de um acidente de viação”, acrescenta a nota.

Desde o fim de semana, entre eles o jornal I e o semanário Expresso, que vários órgãos de comunicação social divulgaram alegadas listas de vítimas dos incêndios com valores superiores à lista oficial, divulgada pelas autoridades competentes.

Esta segunda-feira, o primeiro-ministro António Costa já tinha defendido que "se alguém tinha conhecimento de um maior número de vitimas devia obviamente comunicar imediatamente esses factos à Polícia Judiciária e ao Ministério Público".

Também a ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, garantiu que “não existe uma lista secreta” das vítimas mortais do incêndio de Pedrogão Grande, sublinhando que os nomes constam de um processo judicial que está em segredo de justiça.

Ainda segundo a nota da Procuradoria-geral da República, os dois inquéritos correm termos no Departamento de Investigação e Ação Penal de Leiria. A PGR apela também a todos os que tenham conhecimento de quaisquer factos relacionados com os incêndios de Pedrogão Grande que os façam chegar ao Ministério Público.

Acrescenta ainda que “todos os elementos ora vindos a público, designadamente através da comunicação social, serão objeto de análise e investigação”.

A PGR reitera que foram identificadas “até ao momento” 64 vítimas mortais no âmbito dos inquéritos instaurados quando o Ministério Público teve conhecimento do incêndio de Pedrogão e das suas consequências.

O incêndio que deflagrou a 17 de junho em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, provocou pelo menos 64 mortos e mais de 200 feridos e só foi dado como extinto uma semana depois.

Das vítimas do incêndio que começou em Pedrógão Grande, segundo as autoridades pelo menos 47 morreram na Estrada Nacional 236.1, entre Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos, concelhos também atingidos pelas chamas.

Autarcas sugerem divulgação da lista

Entretanto, os municípios de Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos sugeriram a divulgação da lista de vítimas do incêndio de junho para serenar as populações, enquanto o autarca de Pedrógão Grande apelou a que "os boateiros" sejam corridos.

Para serenar as populações, se calhar não era desajustado que se tornasse público ou se compilasse o nome e a relação de todas as pessoas", disse à agência Lusa o presidente da Câmara de Figueiró dos Vinhos, Jorge Abreu, que referiu ainda não ter tido acesso à lista oficial de vítimas.

No entanto, o autarca frisou que, no terreno, todos têm conhecimento "de quem faleceu e de quem foi vítima" do incêndio que deflagrou em Pedrógão Grande a 17 de junho.

Também o autarca da Castanheira de Pera, Fernando Lopes, considerou que, "se calhar, o melhor é divulgar a lista" para acalmar as populações, visto que têm corrido várias listas e rumores de mais vítimas mortais nos concelhos mais afetados.

Porém, Fernando Lopes recordou que os familiares das vítimas também poderão não estar "disponíveis para autorizar a divulgação".

Quem tem responsabilidade nesta matéria tem de responder por ela e desfazer as dúvidas todas", frisou.

Já o presidente da Câmara de Pedrógão Grande, Valdemar Alves, que também não tem conhecimento da lista global, vincou que as autarquias têm a sua própria lista do conhecimento que têm das pessoas que faleceram.

Eventualmente, poderá aparecer um cadáver aqui ou acolá", notou, apesar de duvidar que tal tenha acontecido, visto que ninguém se dirigiu à Câmara "a reivindicar a morte ou desaparecimento de fosse quem fosse."

Valdemar Alves sublinhou que há que "ter boa-fé", frisando que há "pessoas que gostam de contrariar e de perseguir o poder".

"As pessoas que andam com estas histórias [de mais vítimas mortais] devem ter o bom senso e a vergonha de parar. Sempre houve boateiros. Quero que corram com os boateiros", disse o presidente do município, que falava aos jornalistas após visitar a Área de Localização Empresarial, nas Fontainhas, acompanhado do ministro da Defesa, Azeredo Lopes, no âmbito do programa do Dia do Município.