O Gabinete de Apoio à Vítima (GAV) de Faro apoiou, durante 2014, 216 vítimas diretas que foram alvo de 619 crimes, sobretudo violência doméstica, de acordo com dados divulgados pela Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV).

Na sua maioria, os crimes praticados (84%) são relativos a violência doméstica e, dentro destes, a grande parte refere-se a maus tratos psíquicos (27,3%), ameaça ou coação (20,8%) e maus tratos físicos (18,7%), adiantam os dados publicados na página de internet da APAV.

No segundo lugar da lista estão os crimes contra pessoas (11,1%), logo depois, outras formas de violência (2,7%), e ainda os crimes contra o património (1,1%).

A APAV ressalva que os dados relativos à violência doméstica incluem, além dos crimes assinalados no código de processo penal (maus-tratos físicos e psíquicos), outros delitos em contacto doméstico, como violação de domicílio ou perturbação da vida privada, devassa da vida privada, violação de correspondência ou de telecomunicações, violência sexual e furto, entre outros.

Em 2014, o GAV de Faro prestou, sobretudo, apoio genérico às vítimas (238 casos), mas também apoio especializado, nomeadamente apoio social (38 casos), apoio jurídico (33) e apoio psicológico (27).

No que diz respeito aos 293 processos de apoio registados durante o ano de 2014, em 216 deles (73,7%) verificou-se que tinham efetivamente sido cometidos crimes.

Dos 216 utentes que reportaram crimes ao GAV de Faro no ano passado, 84,3% eram mulheres com idades compreendidas entre os 25 e os 44 anos de idade (45,8%).

As vítimas de crime que usufruíram dos serviços do GAV de Faro eram, maioritariamente, casadas (31%), embora o número de pessoas solteiras não seja muito discrepante (24,5%), sendo que em 42,1% dos casos se tratava de pessoas com família nuclear e filhos.

Já no que diz respeito à principal atividade económica, 39,8% dos utentes que tiveram contacto com o GAV de Faro encontravam-se empregados e 17,1% desempregados, sendo que 10,2% das vítimas possui ensino superior.

As grandes zonas urbanas concentram o maior número de utentes vítimas que recorrem àqueles serviços, residindo a maioria delas em Faro (96 casos) e em Olhão (53 casos).

Com um total de 221 autores de crime em 2014, 83,7% dos mesmos eram homens, com idades entre os 35 e os 54 anos de idade (40,3%).

O principal local do crime assinalado foi a residência comum e em cerca de 42,5% foi formalizada uma queixa às autoridades.

Apesar de se destacarem os encaminhamentos efetuados por amigos (9%), os órgãos de polícia criminal, no seu conjunto, encaminharam cerca de 14% de utentes para os serviços da APAV.