O homem acusado de abusar sexualmente de duas netas e de uma sobrinha-neta, «comprando» o silêncio das vítimas com um euro, remeteu-se hoje ao silêncio no Tribunal de Famalicão, no início do julgamento, que decorre à porta fechada.

O arguido, de 60 anos e morador em Lousado, Famalicão, é acusado pelo Ministério Público da prática de 15 crimes de abuso sexual de crianças agravado, dois crimes de abuso sexual agravado e na forma continuada e dois crimes de importunação sexual.

As vítimas foram duas netas do arguido, que na altura do início dos alegados abusos tinham cinco e sete anos de idade, e uma sobrinha-neta, atualmente com 14 anos.

Segundo a acusação, o arguido ordenava às meninas para não contarem a ninguém o que ia acontecendo, oferecendo-lhes em troca quantias em dinheiro «não concretamente apuradas», mas que rondariam um euro.

Os abusos terão começado em 2008 e decorreriam na casa do suspeito, na casa das vítimas e num descampado próximo do local onde todos viviam.

Em 2012, uma das vítimas contou à professora o que se estava a passar e o caso chegou à Comissão de Proteção de Crianças e Jovens em Risco.

Presente a tribunal, o homem foi constituído arguido e mandado em liberdade, aguardando julgamento com termo de identidade e residência, a mais leve das medidas de coação.

As duas crianças mais novas foram retiradas aos pais e entregues a uma família de acolhimento.

O arguido terá chegado a fotografar as crianças nuas e a fazê-las assistir a um filme pornográfico, pedindo-lhes depois que fizessem o mesmo que tinham acabado de ver.

Os crimes de importunação sexual resultam da alegada do arguido das partes íntimas do seu corpo às menores, nomeadamente da janela da sua casa.

Hoje, no exterior do tribunal, registaram-se alguns momentos de tensão entre familiares comuns do arguido e das alegadas vítimas, com troca de insultos e ameaças mais ou menos veladas de agressões.