Portugal está entre os países europeus com mais novos casos de VIH entre pessoas com mais de 50 anos, segundo um estudo publicado na revista Lancet em que se defende ser preciso mais informação para essa faixa etária.

Nos 12 anos mais recentes, houve um aumento contínuo de novos casos de VIH em pessoas mais velhas, o que significa que é precisa mais informação e mais testes específicos para a geração mais idosa", lê-se nas conclusões do estudo do Centro Europeu para a Prevenção e Controlo de Doenças publicado pela revista especializada em medicina.

Em 2015, 17% dos novos casos foram diagnosticados em pessoas com mais de 50 anos. Portugal, com seis casos por cada 100 mil cidadãos com mais de 50 anos, foi o país com a quarta maior taxa de novos casos nesta idade, embora tenha diminuído o número global de pessoas mais velhas infetadas.

Estónia, com 7,5 casos, Letónia com 7,17 e Malta, com 7,15 casos por 100.000, foram os países com taxas maiores.

De 2004 a 2015, o ritmo de aumento de novos casos aumentou em 16 países, assinala-se no estudo.

Os resultados indicam uma clara necessidade de criar programas de prevenção completos, incluindo educação, acesso a preservativos, facilidade nos testes e tratamentos virados para adultos mais velhos em toda a Europa", afirmou a principal autora do estudo, Lara Tavoschi.

Acrescentou que é preciso reduzir estigmas e dizer às pessoas como se podem defender da doença, a par de um reforço dos testes, que devem ser mais acessíveis para o diagnóstico e o começo dos tratamentos ser mais rápido.

Nos países analisados - os 28 da União Europeia mais a Islândia, Noruega e Liechtenstein - a média de novos casos acima dos 50 anos aumentou de 2,1 casos por 100.000 em 2004 para 2,5 em 2015.

Isto representa 54.102 pessoas com mais de 50 anos diagnosticadas com VIH, a maior parte dos casos com a infeção em estado avançado.

Idade acelera progressão do VIH

Lara Tavoschi afirmou ainda que a epidemia de VIH está a evoluir num sentido diferente do que se pensava, "potencialmente devido à pouca consciência da doença entre os mais velhos, as formas de transmissão, o que leva a equívocos e pouca noção dos riscos que correm".

O nosso estudo mostra a necessidade de garantir que todas as idades são abrangidas pelos serviços de saúde competentes", salientou.

No caso das pessoas com mais de 50 anos, doenças características da idade, como complicações cardíacas, de fígado e rins, podem acelerar a progressão do VIH, aumentando a mortalidade.

Quanto a pessoas mais novas, no estudo indica-se que as taxas de infeção com o VIH diminuíram em seis países: Áustria, França, Holanda, Noruega, Portugal e Reino Unido.