A concretização do atendimento telefónico da Segurança Social desceu, segundo o Governo, de 90% para pouco mais de 60% após o encerramento, em 2012, do centro de contacto de Castelo Branco, que este sábado foi oficialmente reaberto.

Se a minha memória não me falha, a evolução quantitativa do atendimento da Segurança Social [após o encerramento] desceu de perto de 90% para pouco mais de 60% de chamadas atendidas. São números duros", afirmou o ministro do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social, Vieira da Silva.

O governante falava durante a inauguração do Centro de Contacto da Segurança Social, em Castelo Branco, que reabriu em instalações novas, após o encerramento pelo Governo PSD/CDS-PP.

O risco de não ser atendido era quase de 50% ou, pelo menos, ficar longos e longos minutos à espera de ser atendido. Isto são números de facto chocantes do ponto de vista da responsabilidade de um serviço público e que justificava esta opção, de voltar a criar um instrumento eficaz de contacto com os cidadãos", sustentou.

Vieira da Silva realçou que este novo investimento demonstra a vontade do Governo de inverter essa tendência de degradação do relacionamento da Segurança Social com os cidadãos.

No seu entender, é "muito fácil" tomar uma decisão de encerrar e de passar o problema para outros.

Nunca percebi porque é que foi tomada essa decisão. Sei que até foram feitas várias investigações para ver se havia aqui um processo menos claro. Nada foi encontrado de menos claro, até porque, se bem me recordo, o processo de escolha de Castelo Branco para situar este centro na década passada foi um processo aberto", frisou.

O ministro disse que o processo de escolha para a relocalização do centro de contacto não foi difícil: “Castelo Branco partia com uma volta de avanço, porque sabíamos que aqui tinha sido possível criar um serviço com qualidade, um serviço com capacidade de resposta e, portanto, foi relativamente fácil voltar a escolher Castelo Branco", disse.

Já em relação à aposta de colocar a concurso uma prestação de serviços com elevados níveis de exigência, o governante sublinhou que o ministério que tutela quis dar um sinal de que era possível aproveitar a vantagem de empresas especializadas na organização deste tipo de serviços.

Há a ideia de que este tipo de serviços se carateriza por não valorizar suficientemente o trabalho digno, com direitos, com estabilidade. Nós quisemos dar um sinal no sentido de que era possível fazer de forma diferente […]. Há também uma garantia [estava no caderno de encargos] de que aqui se vão criar postos de trabalho que valorizam as pessoas e não apenas que as utilizam num modelo de ‘pega, usa e deita fora’", afirmou.

Vieira da Silva realçou que não é essa a visão que tem do trabalho: "Mal seria que o Ministério do Trabalho fizesse uma opção dessa natureza".

O presidente da Câmara de Castelo Branco, Luís Correia, explicou que o novo centro de contacto vai criar 150 novos postos de trabalho.

O autarca disse ainda que esta decisão de reabrir o serviço corrige o que o anterior Governo tinha feito: “uma enorme injustiça” para o concelho e para o interior, além de ter posto em causa “o princípio da honorabilidade do Estado”.