Os médicos estão em greve esta terça e quarta-feira, em protesto contra as políticas do Governo no setor da Saúde.

A Ordem dos Médicos apela aos utentes para não recorrerem aos serviços de saúde, sendo que os efeitos da paralisação se começam a sentir já na noite desta segunda-feira.

Dois anos depois da última greve, os médicos vão voltar também a sair à rua, com uma concentração marcada para o ministério da Saúde. O protesto foi convocado pela Federação Nacional dos Médicos.

«Queremos um diálogo sério e com pessoas que tenham uma postura política séria do outro lado», disse Arnaldo Araújo, da FNAM.

Por sua vez, o ministro Paulo Macedo não compreende os motivos da greve: «Por ainda estarmos numa situação de crise, eu penso que ainda se justifica menos este tipo de atuação de greve, como mais uma vez se vai verificar, que vai prejudicar exclusivamente os utentes do SNS e não os outros portugueses».

A FNAM apresentou 22 motivos para levar a cabo este protesto. Um deles é a reorganização hospitalar, mas há mais. «Os médicos hoje estão confrontados com situações de limitações ao exercício pleno das suas funções profissionais e sentem que a qualidade assistencial se vai degradando», resumiu Arnaldo Araújo.

No espaço de um mês, a Ordem dos Médicos recebeu mais de 200 queixas de falta de material e de clínicos.

Esta paralisação deverá afetar sobretudo as consultas e cirurgias agendadas.

Os serviços mínimos estão garantidos nas unidades que funcionam 24 horas por dia, como as urgências e os cuidados intensivos.

A FNAM manifesta-se convicta de que a greve terá uma grande adesão, na dimensão da «indignação» destes profissionais de saúde contra medidas do Governo que, acredita, estão a destruir o SNS.

O protesto conta com o apoio da Ordem dos Médicos, mas, ao contrário da greve de há dois anos, não terá a participação do Sindicato Independente dos Médicos (SIM) que, no dia em que foi anunciada esta forma de luta, explicou que a ela não aderia.

A Federação Nacional dos Médicos avisou que alguns clínicos estão a ser ameaçados com cortes no subsídio de assiduidade caso adiram à greve.