A TAP decidiu suspender os voos para Bissau devido ao incidente com os passaportes falsos de 74 cidadãos sírios, informou a empresa em comunicado.

«Perante a grave quebra de segurança ocorrida (...), a rota Lisboa/Bissau/Lisboa encontra-se suspensa até uma completa avaliação das condições de segurança no aeroporto em Bissau», pode ler-se na nota.

A transportadora promete «desenvolver esforços para minimizar o impacto desta decisão sobre os seus passageiros» e já está a procurar «ligações alternativas».

O ministério dos Negócios Estrangeiros também anunciou hoje que transmitiu ao encarregado de negócios da Guiné-Bissau em Lisboa «a gravidade» do embarque de sírios com documentos falsos no aeroporto de Bissau e afirmou apoiar a suspensão de voos.

No entanto, a suspensão «caiu que nem uma bomba» junto dos portugueses em Bissau. Muitos têm viagem marcada para passar o Natal com a família.

Bissau vai averiguar caso

Entretanto, o governo de transição da Guiné-Bissau anunciou que vai abrir um processo de averiguações.

Da reunião de hoje do Conselho de Ministros «saíram recomendações para averiguação do sucedido», sendo que «os ministros do interior e dos negócios estrangeiros vão apresentar relatórios» relatando o que passou, referiu Fernando Vaz, ministro de estado e da presidência do Conselho de Ministros.

Questionado pela Lusa sobre o facto de a tripulação ter sido coagida pelas autoridades guineenses a transportar as 74 pessoas depois de detetada a irregularidade, Fernando Vaz remeteu os comentários para mais tarde.

«Não vou comentar aquilo de que não tenho informação precisa. Quando tivermos o relatório iremos posicionar-nos», referiu.

Os 74 passageiros sírios retidos em Lisboa na terça-feira, por uso de passaportes falsos, pediram asilo político e vão aguardar em alojamento fornecido pela Segurança Social o decorrer do processo, disse a presidente do Conselho de Refugiados, Teresa Tito Morais.

Sírios ficaram hospedados em dois hotéis de Bissau

Os refugiados sírios ficaram 18 horas em hotéis da capital da Guiné-Bissau, onde se registaram com passaportes sírios, disseram à Lusa fontes dos dois estabelecimentos.

Um grupo ficou num hotel na zona do aeroporto (a sete quilómetros de Bissau) e um outro instalou-se numa unidade hoteleira no centro da capital guineense.

Oriundos de Marrocos, os grupos deram entrada nos dois hotéis entre as 02:00 e 02:25 da madrugada de segunda-feira, tendo saído pelas 20:00 do mesmo dia para o aeroporto internacional de Bissau.

As fontes contactadas pela agência Lusa no hotel próximo do aeroporto não quiseram adiantar mais detalhes sobre o grupo ali hospedado, tendo afirmando apenas que «não notaram nada de anormal» com os clientes que se apresentaram como «turistas».

Foi também como «turistas» que se registaram 35 indivíduos hospedados no hotel do centro de Bissau, embora tenham sido levados por «um senhor guineense» que acabaria por pagar a conta da hospedagem.

Uma funcionária da unidade localizada perto do aeroporto de Bissau contou à Lusa que uma mulher grávida fazia parte da caravana e teria sido assistida «numa clínica» da capital guineense «por ter passado mal».