Notícia atualizada

A atriz Sónia Brazão foi esta sexta-feira condenada a três anos de prisão com pena suspensa na sequência da explosão no seu apartamento de Algés, devido à libertação de gases asfixiantes por conduta negligente com intenção de se suicidar aquando da explosão do seu apartamento.

O tribunal de Oeiras considerou que a atriz quis pôr fim à vida e não tinha intenção de prejudicar terceiros.

Para a juíza do Tribunal de Oeiras, ficou provado que em 2011 a atriz «decidiu pôr fim à sua vida por inalação de gás e ligou os bicos do fogão», mas não se provou que tenha agido com a consciência de que isso poderia causar danos a terceiros.

«Apesar de haver horizonte de trabalho, não havia nada concreto e portanto esse não é um fator para argumentar que a atriz não se queria suicidar. O cansaço de todas as deslocações, a dificuldade em dormir e a frustração de não desenvolver uma atividade estimulante levou a arguida a pensar que o suicídio resolveria todos os seus problemas. Acredita-se que foi essa decisão que tomou ao ligar os bicos do fogão», cita a Lusa.

No entanto, o tribunal deu por provado que a atriz colocou a vida de terceiros em risco por um ato negligente.

A juíza considerou ainda que «apenas por mera causalidade ninguém ficou gravemente ferido».

Sónia Brazão fica obrigada a acompanhamento psiquiátrico.

Além disso, Sónia Brazão será sujeita ao pagamento de diversas indemnizações.

«A Justiça é uma questão de ponto de vista»



No final, à saída da sala de audiência, Sónia Brazão disse apenas que «a Justiça é uma questão de ponto de vista», conseguindo depois evitar os jornalistas que a esperavam à porta do tribunal.

Já o advogado da atriz, Jorge Pracana, afirmou que terá de ler a sentença detalhada para decidir se avança com recurso ou não.

No entanto, mostrou-se «satisfeito» pela pena ter sido inferior à que o Ministério Público tinha sugerido (superior a quatro anos de prisão com pena efetiva).

A 3 de junho de 2011, uma explosão ocorrida no quarto andar do número 73 da Avenida da República, em Algés, na casa da atriz, causou dois feridos e provocou estragos em dezenas de viaturas e várias casas vizinhas.

Segundo os exames toxicológicos realizados ao sangue e à urina, a atriz acusou, um dia após a explosão, 0,98 gramas/litro (g/l) de álcool no sangue, além de substâncias canabinoides, opiáceos e benzodiazepinas (ansiolíticos).

Perante estes dados, os responsáveis pelas análises concluíram que Sónia Brazão, no momento do incidente, teria uma taxa de 4,27 g/l de álcool no sangue.