Os sindicatos no setor dos transportes decidiram avançar com uma manifestação nacional e com uma quinzena de greves em protesto contra a proposta de Orçamento do Estado para 2014.

«Vamos fazer uma quinzena de greves a começar a 25 de outubro e terminar a 8 de novembro e vamos convocar trabalhadores e reformados para uma manifestação nacional a realizar em Lisboa a 9 de novembro», disse José Manuel Oliveira, coordenador da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (FECTRANS), afeto à CGTP.

Numa reunião conjunta entre a CGTP, UGT e sindicatos independentes, os trabalhadores decidiram ainda exortar os deputados a reprovarem o OE, a pedirem ao Tribunal Constitucional a sua fiscalização preventiva e a realizar uma nova reunião a 8 de novembro.

As primeiras greves agendadas são as dos CTT, a 25 de outubro, e as da Transtejo e Soflusa, de 2 a 9 de novembro, três horas por turno.

«As restantes serão anunciadas até 21 de outubro», indicou José Manuel Oliveira.

Os trabalhadores estão contra as medidas do OE que resultam em reduções salariais, concessão das empresas públicas de transporte a privados e redução das indemnizações compensatórias, entre outras.

Para José Manuel Oliveira, a proposta do OE para 2014 «vai ter implicações muito grandes ao nível dos rendimentos, do trabalho extraordinário, dos subsídios de refeições e ao pagamento do horário noturno».

Relativamente à diminuição das compensações indemnizatórias, o dirigente sindical disse não ter dúvidas que «vai colocar em causa a qualidade, a segurança, a fiabilidade do serviço prestado e vai ter implicações muito graves para os utentes porque irão pagara aquilo que o Estado deixará de pagar».

Por seu lado, Sérgio Monte, presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes (SITRA), filiado na UGT, alertou que a redução dos salários acima dos 600 euros pode atingir ordenados mínimos.

«Neste setor, [os cortes salariais] podem começar em salários base muito perto do salário mínimo. Estamos num setor de muitas retribuições variáveis como trabalho suplementar, noturno e outros que, por esse efeito, podem chegar aos 600 euros e começar com cortes de 2,5% preconizado no OE», afirmou.

Sérgio Monte disse ainda «não ter dúvidas» que a vontade do Governo é «acabar com todo o setor empresarial do Estado» porque «estão em marcha» as privatizações das empresas.

Para o sindicalista, um exemplo disso é a privatização dos CTT, «uma empresa com mais de 500 anos, que dá lucro de cerca de 50 milhões de euros por ano e vai ser vendida por 600 milhões de euros». «É uma opção meramente ideológica», frisou.