Mais de uma centena de sargentos concentrou-se hoje no jardim de São Bento, junto à Assembleia da República, Lisboa, para contestar os anunciados cortes para o setor no Orçamento do Estado (OE) para 2014.

Acreditando ser ainda possível reverter na especialidade algumas das medidas do orçamento, o presidente da Associação Nacional de Sargentos (ANS), António Lima Coelho, realçou à agência Lusa que as declarações mais recentes do ministro da Defesa Nacional, José Pedro Aguiar-Branco, sobre cortes nas Forças Armadas podem levar o «cidadão comum e menos informado» sobre estas matérias a ter uma «imagem deturpada» das Forças Armadas.

A ANS promoveu a concentração junto à Assembleia da República contra o que considera ser a desvalorização da condição militar e os cortes orçamentais.

No parlamento, em sede de comissão, o ministro da Defesa Nacional assegurou hoje que as associações socioprofissionais das Forças Armadas serão ouvidas sobre as matérias que afetam o estatuto militar.

«A lei não diz que têm de ser ouvidas em tudo. Diz que há matérias em que têm de ser ouvidas. E nas matérias onde têm de ser ouvidas do ponto de vista legal serão ouvidas. Nós cumprimos a lei», afirmou o ministro aos jornalistas.

Cá fora, a ANS lamentava um OE que vai trazer «muitas preocupações» ao setor e o «agravamento da qualidade de vida dos militares e das suas famílias».

«Acreditamos que se houver seriedade é possível» reverter medidas do OE, declarou António Lima Coelho.

O presidente da ANS disse ainda que «o povo português tem de tomar nas suas mãos a necessidade de mudança» no país, mostrando ainda esperança que o Tribunal Constitucional (TC) impeça algumas medidas do orçamento de irem para a frente.