A PSP encerrou esta segunda-feira três das nove esquadras de Lisboa que pretende fechar até ao final do ano, «libertando» mais de 30 agentes para atividades operacionais nas zonas onde estavam localizadas.

«Procedemos hoje ao encerramento de três esquadras de Lisboa, na Boavista, no Rossio e outra em Marvila (na Belavista)», anunciou o segundo comandante do Comando Metropolitano de Lisboa (COMETLIS) da PSP, Luís Elias, segundo o qual estas estruturas «não representavam uma mais-valia de segurança e não tinham capacidade de projeção de meios para a via pública».

Os agentes estavam presos a «funções mais administrativas» e as condições de atendimento ao público e de trabalho para os agentes «eram deficitárias», acrescentou aquele responsável.

Com o encerramento destas três esquadras, «33 agentes são libertados para atividades operacionais» nestas zonas, o principal objetivo de uma reestruturação do dispositivo policial em Lisboa que implica o encerramento de um total de nove esquadras até ao final do ano, anunciou o intendente Luís Elias.

Além dos equipamentos já encerrados, está previsto que as esquadras de Arroios, do Rato e dos bairros do Condado (na antiga zona J de Chelas), de Padre Cruz, da Horta Nova (ambas em Carnide) e do Quinta do Cabrinha (em Alcântara) fechem portas.

Está previsto, ainda, o fecho das esquadras de Santa Apolónia e da Alta de Lisboa, o que não significara a saída da PSP das instalações, explicou Luís Elias. Para a primeira será deslocada a Divisão de Segurança a Transportes Públicos (que estava no Rossio) e na segunda manter-se-á a Divisão de Trânsito.

O COMETLIS admite, no entanto, não vir a cumprir a totalidade deste calendário, já que o encerramento de algumas destas esquadras, nomeadamente as de Arroios, do Rato e dos bairros do Quinta do Cabrinha e Padre Cruz, está dependente da criação de novas esquadras ou de localizações alternativas, «um processo que leva o seu tempo».

Assim, Luís Elias disse que até ao final do ano serão encerradas um total de «cinco ou seis esquadras».

O COMETLIS está a estudar a localização exata das novas esquadras a abrir, tal como o montante que será necessário para investir nestas zonas. Os três equipamentos que encerraram hoje estavam «arrendados a privados», o que vai permitir «uma poupança residual», mas esse não é o objetivo principal da PSP.

«O objetivo principal é a racionalização de efetivos, a melhoria da qualidade de atendimento ao público e das condições de trabalho para os nossos agentes», indicou.

Questionado quanto ao impacto que estes encerramentos vão ter nas populações, o intendente disse «entender o sentimento de afetividade» às esquadras, reafirmando que estas estruturas «não representavam uma mais-valia para a segurança pública».

Dando o exemplo da esquadra da Belavista, que é «a esquadra com menos ocorrências registadas anualmente¿, Luís Elias defendeu que ¿as ocorrências existem ou não em função da capacidade de projeção de meios, da visibilidade de meios que se põem na rua».

«Não é o facto de ter uma esquadra que impede a ocorrência de crimes. A prevenção da ocorrência de crimes é garantida pelo número de polícias que temos na via pública, pela capacidade de reação que conseguimos ter. E quanto mais instalações tivermos, mais necessidade temos de polícias a desempenhar funções administrativas», afirmou.

Com o encerramento das nove esquadras, a PSP conta colocar 267 polícias em funções operacionais. Esta reestruturação não implica despedimentos, nem cortes salariais, e não tem impactos na carreira dos agentes, assegurou o segundo comandante do COMETLIS, como reporta a Lusa.