As negociações para a venda dos 85 quadros de Juan Miró pertencentes ao BPN começaram em 2008, quando ainda estava em funções o Governo de José Sócrates. O semanário «Expresso» cita, este sábado, uma troca de e-mails datada de 2011, em que Lourenço dos Santos, administrados do BPN indicado pela Caixa Geral de Depósitos, pedia esclarecimentos à Christie's sobre uma série de detalhes contratuais. A venda dos quadros chegou a ter uma data e um local marcado por parte da leiloeira: novembro de 2011, em Nova Iorque. Seria o culminar de um processo iniciado em 2008.

Teixeira dos Santos diz que nunca deu orientações sobre venda de Mirós

O então titular da pasta das Finanças diz não ter sabido dos contactos entre os administradores do banco nacionalizado e as leiloeiras Christie's e Sotheby's. Mas também diz que não tinha de o saber, pois essa seria uma responsabildiade exclusiva dos administradores do banco. Ouvido pelo «Expresso», Teixeira dos Santos diz que a decisão de vender os quadros «estaria no âmbito das competências normais da administração» do banco nacionalizado, cuja missão era rentabilizar os ativos do banco.

A venda dos quadros não aconteceu durante o Governo de Sócrates por causa das eleições antecipadas que levaram o PSD ao poder e porque a questão da propriedade das obras continuava envolta em dúvidas.

A então ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, assegura que não estava a par das negociações e garante que nunca teria dado luz verde ao processo. «Os gestores podem ter tido esses contactos e decidido vender a coleção, mas a tutela não o decidiu. Era o que faltava», disse a então ministra, em declarações ao «Expresso».

«Dou a minha palavra de honra que no Conselho de Ministros do Governo anterior, nem Gabriela Canavilhas, nem José Sócrates, nem Teixeira dos Santos concordaríamos com uma proposta de venda deste património», sublinhou ainda Gabriela Canavilhas.