A maioria das mulheres (51%) e quase metade (46%) dos homens residentes em Portugal têm filhos e não tencionam ter mais, revela o Inquérito à Fecundidade, divulgado esta quarta-feira.

O Inquérito à Fecundidade 2013 (IFEC), realizado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) em parceria com a Fundação Francisco Manuel dos Santos FFMS, decorreu entre 16 de janeiro e 15 de abril e foi dirigido a mulheres com idades entre os 18 e 49 anos e a homens com idades entre os 18 e 54 anos.

O inquérito permitiu analisar a fecundidade, quer para quem tem filhos, quer para quem (ainda) não tem, em função do número de filhos tidos, do número de filhos que as pessoas (ainda) pensam vir a ter e do número de filhos que desejariam ter.

Os dados revelam que as mulheres e os homens inquiridos têm, em média, 1,03 filhos, mas pensam chegar aos 1,77 filhos (média), sendo o número médio de filhos desejados ao longo da vida de 2,31 filhos.

Relativamente ao número ideal de filhos numa família, as pessoas consideram, em média, 2,38 filhos como sendo o número ideal, valor próximo ao que desejariam para si próprias.

Segundo o inquérito, «não ser verificam diferenças assinaláveis entre mulheres e homens quanto ao número médio de filhos que pensam vir a ter e que desejariam ter».

Presente na apresentação do inquérito, o presidente da FFMS, Álvaro Barreto, afirmou que não haver uma «grande diferença entre homens e mulheres» neste domínio é um resultado que lhe «agrada» porque «é um sinal de progresso».

O estudo adianta que 74% das mulheres e 88% dos homens com idades entre os 18 e os 29 anos não têm filhos, enquanto 40% das mulheres e 38% dos homens do grupo etário 30/39 anos têm um filho e, no grupo 40/49 anos, 45% das mulheres e 40% dos homens têm dois filhos.

«A idade média em que tiveram o primeiro filho ronda os 26 anos para as mulheres e os 28 anos para os homens, refletindo a tendência destes serem pais mais tardiamente», sublinha.

Para aqueles que ainda não têm filhos, mas pensam vir a ter, a idade média com que no máximo querem vir a ter o primeiro filho é de 31 anos para as mulheres e 33 anos para os homens.

Para todos os grupos etários, é predominante a proporção de pessoas que pensam vir a ter e desejariam ter dois filhos, independentemente da situação conjugal, do nível de escolaridade ou da condição perante o trabalho.

Contudo, 42% das mulheres e 36% dos homens com nível de escolaridade «superior» desejavam ter três ou mais filhos, valores superiores aos observados nos restantes níveis de escolaridade.

Também as pessoas que vivem em áreas densamente povoadas desejam ter, em média, mais filhos (2,4) do que as que vivem em áreas menos povoadas (2,2).

«Ver os filhos crescerem e desenvolverem-se» é apontado como o motivo importante para a decisão de ter filhos para 97% dos inquiridos, independentemente de já serem pais, seguindo-se a «realização pessoal» e o desejo de «ver a família aumentar».

Os principais motivos apontados por quem não tem filhos para não equacionar tê-los são os «custos financeiros associados a ter filhos» (67% das mulheres e 68% dos homens) e a «dificuldade para conseguir emprego» (48% e 59%, respetivamente).

Para quem tem filhos e pensa não vir a ter mais, os motivos mais referidos são igualmente os custos financeiros (86% das mulheres e 82% dos homens) e a «dificuldade para conseguir emprego» (54% e 50%, respetivamente).

Acresce ainda, como motivo com particular expressão para não se ter mais filhos, o facto de já terem os que querem (74%), apresenta a Lusa em síntese.