Em apenas dois dias, uma portuguesa foi condenada por bigamia e outra presa por suspeita do mesmo crime devido ao envolvimento em casamentos por conveniência com imigrantes ilegais nigerianos no Reino Unido.

Tânia Aniceto, de 25 anos, foi condenada a 18 de outubro a quatro anos de prisão por bigamia e por auxílio à imigração ilegal no Reino Unido após casar com quatro nigerianos no espaço de dois anos.

A portuguesa só foi apanhada porque o seu nome e outro falso que também usava, Sandra Monteiro, levantaram suspeitas pois apareciam repetidos nas candidaturas dos homens para obter autorização de residência.

Durante o julgamento confessou que cobrava 400 libras (470 euros) por cada casamento, que tiveram lugar entre maio de 2010 e junho de 2012 em quatro locais diferentes: Brent, Lewisham, Rochdale e Southwark.

Uma acusação de posse de documentos de identificação falsa foi retirada, mas Sandra Monteiro acabou por declarar-se culpada de cinco crimes de auxílio à imigração ilegal e quatro de bigamia.

Apenas dois dias antes, a 16 de outubro, uma outra portuguesa de 22 anos foi detida em flagrante a casar com um imigrante nigeriano de 32 anos, em Harrow, no norte de Londres, aguardando agora julgamento.

A polícia interrompeu a cerimónia numa conservatória do registo civil e confirmou as suspeitas de irregularidade quando questionaram cada um individualmente e perceberam que pouco sabiam sobre o respetivo noivo.

Numa reportagem transmitida na Sky News, os agentes que conduziram a operação disseram suspeitar que a mulher, cuja identidade não foi revelada, já tinha casado antes nas mesmas circunstâncias.

No últimos meses, foram vários os portugueses apanhados pelas autoridades em casamentos falsos: em setembro, Naydyne Botelho, de 27 anos, e Cátia Lima, de 32 anos, foram condenadas a 12 meses e 16 meses de prisão, respetivamente.

Ambas eram residentes em Londres mas foram detidas ao tentarem casar na Irlanda do Norte com dois homens do Bangladesh, compatriotas do organizador.

Além de ter sido condenado por organizar estes dois casamentos, Wahidul Islam, de 43 anos, que também foi condenado ter obtido um visto de residência de forma desonesta, ao casar ele próprio com uma mulher portuguesa com metade da sua idade, em 2009.

Em abril, mas em Chelmsford, a nordeste de Londres, Salomé Almeida, de 22 anos, foi condenada a 12 meses de prisão por ter tentado casar com um cidadão paquistanês em Harrow, no norte de Londres.

A polícia descobriu que Almeida tinha viajado um mês antes para preencher os papéis de casamento e regressado a Portugal no dia seguinte, porém levantou suspeitas e foi detida no dia do casamento, a 03 de abril.

A jovem portuguesa acabou por confessar que tinha aceitado casar com Wahab Khalid por 1.500 euros, conta a Lusa.

O projeto de lei para regular a imigração no Reino Unido atualmente em debate no parlamento pretende reduzir o risco de casamentos por conveniência para facilitar a imigração ilegal, um crime do qual muitos portugueses têm sido condenados.

Um casamento é considerado por conveniência quando um cidadão não europeu casa com outro de um país da União Europeia com a intenção de obter um visto de residência de longa duração, bem como o direito de trabalhar e reclamar apoios sociais.

Atualmente, os noivos têm de entregar os papéis para o casamento 15 dias antes na igreja ou conservatória do registo civil, cujos dados serão afixados em edital, mas o governo quer estender este período para 28 dias e, em alguns casos, par 70 dias.