O pároco da Golegã suspeito de abuso sexual de duas crianças ficou esta quarta-feira obrigado a pagar uma caução de 3.500 euros e a entregar o passaporte, está proibido de sair da área de residência e de se aproximar de menores.

As medidas de coação foram lidas aos jornalistas depois de quase quatro horas de interrogatório no Tribunal da Golegã, onde o padre chegou cerca das 14:30 acompanhado por dois agentes da Polícia Judiciária.

Colocado sob termo de identidade e residência, o pároco foi proibido pelo juiz de se aproximar dos concelhos da Golegã e de Torres Novas (onde terão ocorrido os crimes), devendo permanecer na sua área de residência, bem como de qualquer contacto com menores, em particular com as vítimas.

A PJ anunciou hoje a detenção do pároco, dado como estando em parte incerta desde o início do mês, por ser o «presumível autor de dois crimes de abuso sexual de crianças cometidos na forma agravada».

O advogado do padre considerou as medidas de coação «pesadas», mas admitiu serem adequadas tendo em conta o clima de alarme social gerado.

Há duas semanas, a Diocese de Santarém anunciou a abertura de um «processo canónico de averiguações a propósito de suspeitas» sobre o pároco.

Notícias surgidas em alguns órgãos de comunicação social referiam «atos menos corretos» do pároco que terão envolvido jovens durante um acampamento de escuteiros.

«O sacerdote encontra-se dispensado de todos os seus encargos. Tal não implica um juízo sobre a sua pessoa, ou sobre os factos, mas favorece a averiguação da verdade», afirmava a nota da diocese.

Declarando-se «disponível para colaborar em tudo com as instâncias civis», a Diocese de Santarém afirmava estar «em contacto com os familiares para dar todo o apoio necessário».

«A Diocese deseja manifestar que está próxima dos jovens e suas famílias e de toda a comunidade. Compreende e partilha a perplexidade e tristeza de todos. Está determinada a colaborar para criar um ambiente sereno e seguro para todos».

A Conferência Episcopal Portuguesa divulgou, em abril de 2012, um conjunto de diretrizes para o tratamento de eventuais casos de abuso sexual de menores ocorridos na Igreja, destacando a necessidade de colaboração com as autoridades civis.