O bastonário da Ordem dos Médicos pediu uma intervenção da Inspeção Geral das Atividades em Saúde ao Hospital de Faro para averiguar os fundamentos das críticas lançadas na sexta-feira por 370 médicos do Centro Hospitalar do Algarve (CHA).

«A única forma de se esclarecer efetivamente a extensão, a verdade e a origem dos problemas no Hospital de Faro é haver uma inspeção da Inspeção Geral das Atividades em Saúde e, portanto, naturalmente que mantenho essa solicitação», declarou José Manuel Silva, que está a realizar uma visita de dois dias ao Algarve.

Já a 07 de fevereiro, o bastonário tinha pedido uma inspeção à gestão do CHA.

Trezentos e setenta médicos do CHA, de todas as fases da carreira, repudiaram na sexta-feira as declarações do presidente do conselho de administração do CHA, Pedro Nunes, ao ter criticado os clínicos que têm alertado para os problemas de rutura nos hospitais públicos da região algarvia.

«Quando há um abaixo-assinado de mais de 300 médicos a criticar a gestão do hospital, naturalmente é porque há fundamento para as críticas que são mencionadas nesse abaixo-assinado», considerou o bastonário da Ordem dos Médicos.

Apesar de ter verificado que houve «algumas melhorias no Hospital de Faro», nomeadamente um aumento da lotação em 87 camas, José Manuel da Silva, que visitou hoje o CHA em Faro, declarou que há «claros problemas de relacionamento entre as pessoas, de gestão de recursos humanos e até, em algumas circunstâncias, de desconsideração pelos médicos».

Segundo o bastonário, é preciso que o conselho de administração do CHA «tenha mais respeito e consideração pelos profissionais», porque na circunstância de as retribuições do foro financeiro serem substancialmente reduzidas «é preciso dar mais atenção aos outros fatores motivacionais de todos os profissionais, nomeadamente o respeito, a consideração e a verdade e a transparência».

«É preciso enfrentar com verdade os problemas do Hospital de Faro», continuou, recordando que tem havido uma «gestão no limite» e que a gestão dos stocks no limite, faz com que por vezes «não haja material disponível para alguns procedimentos».

Em 06 de janeiro, 205 médicos assistentes hospitalares com vínculo laboral ao CHA alertaram, em carta aberta, para a situação de rutura registada nos hospitais públicos do Algarve que, segundo alegaram, «coloca em risco a assistência médica à população».

Nesta última carta aberta, os médicos consideraram «estar perante uma verdadeira crise institucional» e esperam que Pedro Nunes, ex-bastonário da Ordem dos Médicos, lhe ponha «termo de forma ajustada».