Quatro anos depois, algumas pessoas que ficaram desalojadas pelas enxurradas de 20 de fevereiro de 2010, no Funchal, manifestam revolta e desânimo, continuando a aguardar a prometida reconstrução das suas casas.

Na freguesia do Monte, várias famílias ficaram com as habitações destruídas pelas enxurradas e continuam à espera de uma casa, como são os casos das primas Maria José e Joana Martins e do mestre José.

«Continua tudo igual, não sabemos de nada», dizem Maria José e Joana Martins, que viram a sua habitação com cinco quartos ficar soterrada pelo entulho e foram realojadas numa casa dos guardas prisionais, onde uma diz dormir no chão.

As duas mulheres declaram que «já tentaram falar com o presidente do Instituto de Habitação, mas este recusa receber as pessoas afetadas pelo [temporal de] 20 de fevereiro», adiantando que «na Câmara do Funchal dizem sempre que não há dinheiro e faltam papéis».

«Foi-nos prometido que iam arranjar a casa. A promessa eram seis meses, veio dinheiro, onde está?», questionam, mencionando que desde aquela altura que não conseguem regressar à zona onde viveram.

Mestre José residia noutra zona do Monte, na Corujeira de Dentro, e também ficou sem a habitação e tem vivido desde o temporal num quarto na casa da sogra.

A IHM ¿ Investimentos Habitacionais da Madeira emitiu entretanto um comunicado em que assegura que «todas as famílias afetadas pela Intempérie de 20 de Fevereiro de 2010, que não dispunham de meios alternativos de realojamento, foram devidamente realojadas», enquanto aguardam «verbas necessárias à recuperação das suas habitações». «A IHM, mesmo durante este tempo de grandes dificuldades que Portugal e a Região atravessam, através dos fogos e dos programas que vão sendo disponibilizados, continuará a ajudar todas as famílias que necessitam de um apoio do Governo Regional para a obtenção de uma habitação condigna», assegura ainda aquele organismo.

O temporal de 20 de fevereiro de 2010 na Madeira causou 43 mortos, seis desaparecidos, centenas de pessoas desalojadas e 1.080 milhões de euros de prejuízos, sendo as marcas da intempérie ainda visíveis em vários locais da ilha.