O Observatório Meteorológico do Funchal informou que entre quinta-feira e hoje registou no Santo da Serra e no Porto da Cruz (Machico), em 24 horas, uma quantidade de pluviosidade comparável à do Funchal no temporal de fevereiro de 2010.

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O diretor do observatório, Vítor Prior, referiu que «o valor normal do mês de novembro no Santo da Serra é 277 milímetros por metro quadrado e o maior valor diário de que há registo é 199,8 milímetros».

Segundo os dados do observatório, «tanto os valores diários como os horários e o [valor de pluviosidade] máximo em 10 minutos registados no Santo da Serra são comparáveis e muito próximos dos valores registados no Funchal no dia 20 de fevereiro de 2010», salientou, referindo-se ao temporal que provocou 43 mortos e seis desaparecidos na ilha da Madeira, afetando sobretudo o Funchal.

Vítor Prior referiu que nesse dia, no Funchal, «em 24 horas (das 09:00 às 09:00) foram registados 144,3 milímetros», enquanto «o maior valor em duas horas consecutivas foi 80,2 milímetros e o maior valor em 10 minutos foi 11,0 milímetros».

No Santo da Serra, entre as 09:00 de quinta-feira e a mesma hora de hoje, «foram registados 163,3 milímetros, o maior valor em duas horas consecutivas (das 22:00 do dia 28 às 00:00 do dia 29 de novembro) foi 79,6 milímetros e o maior valor em 10 minutos foi 13,0 milímetros», apontou.

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Contudo, salientou o responsável, estes valores «não podem ser comparados» aos que foram registados no temporal de 2010 no Pico do Areeiro, no concelho do Funchal mas numa zona montanhosa (389,6 milímetros em 24 horas). Nesta localização, o maior valor identificado em 10 minutos foi de 14,4 milímetros.

«No Porto da Cruz não temos posto de medição e o mais próximo é o de Santana, mas a quantidade no Porto da Cruz deve ter sido semelhante, na ordem dos milímetros, no Santo da Serra», destacou.

O diretor referiu também que o posto no Aeroporto da Madeira, localizado em Santa Cruz, outro concelho onde se registaram prejuízos, a pluviosidade foi de zero milímetros entre as 09:00 de quinta-feira e de hoje.

Vítor Prior referiu que esta situação atmosférica «está associada à influência do estado do tempo estacionária ou em deslocação que dá origem a precipitação forte e que pontualmente pode ser muito forte que estava prevista neste dias e vai-se manter até final do dia com maior probabilidade nas zonas montanhosas e na costa norte».

A região montanhosa da ilha da Madeira está hoje, até às 17:59, sob aviso laranja, o segundo mais grave da escala de quatro níveis, devido às previsões de chuva e trovoada fortes, informou o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

O instituto já tinha colocado na quinta-feira o arquipélago da Madeira sob aviso amarelo - o terceiro mais grave - e mantém este aviso hoje a partir das 18:00 até às 05:59 de sábado devido às condições de chuva e aguaceiros por vezes fortes, acompanhados de trovoada, que se prevê para as duas ilhas da região.