A Associação Portuguesa de Professores de Inglês (APPI) considerou que tornar obrigatória a disciplina de inglês nos 3.º e 4.º anos do ensino básico é uma decisão positiva, mas que peca por ser tardia.

Leia a posição dos pais sobre o assunto.

«A mudança do caráter facultativo extracurricular da disciplina de inglês no 1.º ciclo para carácter obrigatório a partir do ano letivo de 2015/16 vem ao encontro das expetativas da APPI, desde a introdução da disciplina nas escolas 2005/06 com outra equipa ministerial, embora sem carater obrigatório», disse à agência Lusa o presidente da APPI, Alberto Gaspar.

Em declarações à Lusa, o presidente da APPI disse que esta mudança tem sido sempre uma bandeira da associação no sentido de que o inglês tenha «a mesma representatividade e prestígio de qualquer matéria do currículo» do 1.º ciclo.

O ministro da Educação, Nuno Crato, revelou na terça-feira no parlamento que a introdução do inglês vai implicar novas metas curriculares para os ciclos seguintes, formação de professores e novos mestrados de especialização

De acordo com o ministro, a introdução da disciplina nos 2º. e 3º. ciclos vai implicar novas metas curriculares, a revisão da formação dos professores que vão lecionar a disciplina de inglês, a criação de um novo grupo de recrutamento e novos mestrados de especialização em inglês.

Alberto Gaspar disse que a associação compreende que seja necessário algum tempo para preparar o programa.

«Compreendemos que se espere, mas o que não entendemos é porque é que o inglês não pode ser estendido a todas as escolas. Será por receio de falta de professores qualificados, mas agora estamos a falar de dois anos do 1.º ciclo e não de quatro. Será por falta de dinheiro ou é por outra razão qualquer? Não chega dizer que provavelmente não arranca em todas as escolas», sublinhou.

No que diz respeito ao alargamento da obrigatoriedade aos 1.º e 2.º anos, Alberto Gaspar aconselha prudência.

«A disciplina já foi introduzida nestes anos a título facultativo em 2006/07 e aconteceu o que prevíamos: uma grande confusão na colocação de professores. Muitos tinham habilitação científica, mas não pedagógica e, por outro lado, ensinar crianças desta idade não é a mesma coisa que ensinar pré-adolescente ou adolescentes», disse.

Contactada pela agência Lusa, uma fonte oficial do gabinete de Nuno Crato disse que só serão dados mais pormenores sobre a implementação da disciplina em todas as escolas depois de conhecidas as conclusões do grupo de trabalho que foi, entretanto, criado para estudar a introdução do inglês nos 3.º e 4.º anos.