A «velocidade excessiva da embarcação, face às condições de agitação marítima existentes no momento» terá sido a causa mais provável para o naufrágio que ocorreu no passado mês. Estes são as conclusões do relatório técnico divulgado pelo Gabinete de Prevenção e de Investigação de Acidentes Marítimos.

Uma embarcação onde seguiam sete homens da região do Barreiro, regressava a Lisboa, na tarde de 21 de dezembro. O grupo tinha passado o dia a fazer pesca desportiva na zona do Cabo Espichel.

A viagem de regresso iniciou-se às 16:00 e entre as 17:00 e as 17:30, uma onda maior «ergueu a embarcação, adornou-a a estibordo e rebentou sobre ela, virando-a».

O relatório revela também que quatro tripulantes viajavam na cabine, enquanto três estavam sentados no banco da proa. No momento em que o barco virou, quatro dos homens ficaram agarrados ao barco durante uma hora e meia. Os restantes três só voltariam a ser vistos na praia, já sem vida.

«Um dos náufragos que se encontrava agarrado à embarcação decidiu nadar para terra, tendo conseguido alcançar a praia do CDS, na Costa de Caparica, pelas 19:30», refere o documento. Segundo o sobrevivente, os outros três homens terão também tentado nadar até terra.

O relatório sublinha o facto de nenhum dos homens estar a usar colete de salvação na altura do naufrágio. A não utilização dos coletes terá «contribuído para o esgotamento» das forças dos tripulantes enquanto se agarravam à embarcação.

Depois de recolhidos os corpos dos tripulantes, o barco foi encontrado a um quarto de milha da orla da praia. Todo o equipamento de segurança obrigatórios estavam presentes, com exceção de uma boia e do motor auxiliar. «Verificou-se também que todo o material se encontrava guardado no interior da cabine, ou seja, nenhum estava colocado em local de rápida e fácil utilização».