A mortalidade devido ao consumo de drogas aumentou em 2012 face ao ano anterior, tendo-se registado 29 mortes por overdose, mais de metade das quais acusaram a presença de cocaína no organismo, segundo o relatório anual do SICAD.

O relatório «A Situação do País em Matérias de Drogas e Toxicodependência 2012» do Serviço de Intervenção dos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) revela um aumento dos indicadores de mortalidade em relação a 2011, embora com valores ainda abaixo dos registados antes de 2008 ou de 2011.

Em 2012, dos 187 óbitos com a presença de pelo menos uma substância ilícita e com informação sobre a causa de morte, cerca de 26% (29 casos) foram considerados overdoses.

Quanto às substâncias detetadas nessas overdoses, o relatório destaca a presença de cocaína em 52% dos casos, seguindo-se os opiáceos (48%) e a metadona (31%). Na maioria (76%) destas overdoses foram detetadas mais do que uma substância, sendo de destacar a presença de álcool (38%) e de benzodiazepinas (28%) em associação com as drogas ilícitas.

Em relação às outras causas de morte com a presença de pelo menos uma substância ilícita, os 158 casos foram maioritariamente atribuídos a acidentes (45%), seguindo-se a morte natural (25%), o suicídio (15%) e o homicídio (11%).

Consumo aumenta entre mulheres

O consumo de droga entre a população portuguesa tem vindo a diminuir, mas começam a surgir algumas «tendências preocupantes» ao nível das prevalências e padrões de consumo entre as mulheres e os jovens em geral, segundo um relatório.

O relatório revela que entre 2007 e 2012 diminuiu a prevalência de consumo de drogas, mas que simultaneamente aumentaram alguns consumos no grupo feminino, contrariamente ao padrão geral de evolução, o que coloca «novos desafios para o futuro».

No entanto, as prevalências de consumo ao longo da vida e de consumo recente continuam a ser mais elevadas nos homens e Portugal continua a apresentar prevalências de consumo abaixo dos valores médios europeus.

Número de seringas trocadas diminuiu

O programa de troca de seringas registou uma diminuição de 19% no número de seringas recolhidas, e de 10% nas distribuídas, em 2012, face ao ano anterior, segundo SICAD.

Em 2012, foram recolhidas 1.341.710 seringas, menos 309.241 do que em 2011, e foram distribuídas 1.086.400 seringas, menos 123.600 do que no ano anterior.

Os dados constam do relatório anual do SICAD e revelam que, entre janeiro e outubro de 2012, os custos imputados ao programa de troca de seringas foram de 677.321 euros.

Em novembro de 2012, terminou o contrato com a Associação Nacional de Farmácias para a troca de seringas e, em alternativa, o programa passou a ser assegurado pelos centros de saúde e centros de respostas integradas das administrações regionais de saúde.

Oferta de material de consumo pode evitar infeções

O presidente do SICAD defendeu, esta terça-feira, a oferta de material de consumo de droga não injetável, como os cachimbos, como forma de fechar as portas às infeções.

João Goulão revelou que se tem revelado «significativa» a partilha de material não endovenoso, como os cachimbos utilizados para o consumo da cocaína. A esse propósito, João Goulão equacionou a hipótese da distribuição deste tipo de material, à semelhança do programa de troca de seringas, que, em 2012, permitiu a recolha de 1.341.710 seringas e a distribuição de 1.086.400.

A partilha de material como os cachimbos é uma porta de entrada de infeções, como as provocadas pelo Vírus da Imunodeficiência Adquirida (VIH), acrescentou.