Portugal mantém-se abaixo dos países que participam no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) nas áreas de leitura, matemática e ciências, destacando a OCDE a melhoria da performance dos estudantes nacionais desde 2003.

Matemática: «Estão criadas as condições para os resultados piorarem»

Os resultados do relatório PISA 2012 foram divulgados esta terça-feira, sendo testados os conhecimentos dos alunos de 15 anos de 65 países a nível mundial.

Nas três áreas, Portugal mantém-se abaixo da média, apesar de estar perto deste valor, no caso da Matemática, onde os alunos portugueses obtiveram 487 pontos, sendo o nível da média geral 494.

Na avaliação dos conhecimentos de leitura, os estudantes portugueses conseguiram um resultado médio de 488, enquanto o nível da média geral se fixou nos 496.

Nas ciências, os alunos nacionais obtiveram 489 pontos, sendo a média de 501 nesta área.

No sumário executivo do documento, a OCDE destaca que Portugal faz parte do grupo de países, que, participando em todas as avaliações deste 2003, apresenta uma melhoria média em matemática de 2,8, enquanto na ciência obtiveram 2,5 e na leitura 1,6.

O sumário executivo do relatório destaca ainda que Portugal é um dos países da OCDE que melhorou o desempenho em termos de leitura nas várias avaliações do PISA.

Xangai (China), Singapura e Hong Kong (China) ocupam os três primeiros lugares nas três áreas de conhecimento avaliadas pelo PISA.

Cerca de 510 mil estudantes de 15 anos realizaram a esta prova. Estes alunos representam os cerca de 28 milhões de estudantes de 15 anos que frequentam as escolas dos 65 países participantes no estudo.

A OCDE advertiu para o impacto do contexto socioeconómico no desempenho dos alunos, incluindo Portugal entre os países que enfrentam maiores desafios.

«Entre os países da OCDE, Turquia e México, onde 69% e 56% dos estudantes, respetivamente, pertencem ao grupo mais desfavorecido, e Portugal, Chile, Hungria e Espanha, onde mais de 20% dos estudantes pertencem a este grupo, enfrentam muito maiores desafios do que, por exemplo, Islândia, Noruega, Finlândia e Dinamarca, onde menos de cinco por cento os alunos são prejudicados», afirma a organização no relatório.

Ao examinar os resultados de diferentes países no contexto socioeconómico, os técnicos da OCDE incluem Portugal entre os países onde o desafio é maior, juntamente com a Turquia, o Brasil, o México, o Chile, a Hungria, a Eslováquia, a Polónia e a República Checa.

Luxemburgo, Noruega, Japão, Finlândia, Islândia e Dinamarca, Irlanda e Estados Unidos são aqueles que apresentam contextos demográficos, sociais e económicos mais favorecidos.

No relatório, lembra que os professores que ensinam alunos de contextos mais desfavorecidos enfrentam desafios maiores do que aqueles que trabalham em meios mais favorecidos.

«Da mesma forma, os países com maiores proporções de crianças desfavorecidas enfrentam desafios maiores do que os países com menores proporções destes estudantes», lê-se no documento.