Um homem de 21 anos foi identificado pela GNR de Viana do Castelo por ter manobrado, na sexta-feira, a máquina agrícola que originou inadvertidamente, com uma faísca, o incêndio que ainda lavra em Outeiro, naquele concelho.

Fonte da GNR disse hoje à Lusa tratar-se de um trabalhador de uma empresa de Albergaria que estaria a manobrar uma máquina agrícola durante a limpeza de um terreno em Outeiro, a qual terá originado uma faísca durante estes trabalhos.

As chamas terão começado nessa altura, pelas 13.15 de sexta-feira, e ainda foram combatidas pelos elementos que se encontravam no local. Contudo, rapidamente se propagaram e ficaram descontroladas.

Atingiram, segundo o último registo avançado à Lusa pela proteção civil, uma linha de fogo superior a cinco quilómetros, passando as chamas por cinco freguesias.

«Os factos foram participados ao Ministério Público e a investigação, durante a qual iremos apurar o que aconteceu, baixou a inquérito», explicou a mesma fonte.

Às 15:00 de sábado, o combate a este incêndio, nas suas três frentes ativas, envolvia quase 300 homens.

O incêndio ainda levará «muitas horas» a dominar, apesar de o reforço com apoio aéreo, através de três meios, disse à Lusa o comandante das operações no terreno.

«Temos os meios posicionados nas duas frentes de fogo, de um lado e do outro do monte, mas isto é um incêndio que vai levar ainda muitas horas para dominar. Temos muito trabalho pela frente», disse Robalo Simões, segundo comandante distrital de operações de socorro.

Dezenas de casas, em várias freguesias, continuam ameaçadas pelas chamas, o que obrigou a dispersar meios de combate por vários locais.

Além de bombeiros de vários pontos do distrito de Viana do Castelo, foram também acionados Grupos de Reforço para Combate a Incêndios Florestais (GRIF) do Porto, Braga, Coimbra e Vila Real.

Na noite de sexta-feira, durante o combate às chamas, um operacional dos Bombeiros Municipais de Viana do Castelo sofreu queimaduras nas mãos e teve de ser assistido no hospital da cidade. Este bombeiro recebeu alta médica já ao final da manhã de sábado.

A estratégia dos bombeiros centrou-se nas últimas horas no posicionamento de meios para a defesa do perímetro das centenas de casas que estão na linha do fogo, tendo em conta a grande extensão do incêndio.

Durante a madrugada, conforme a agência Lusa constatou no local, em vários pontos de Outeiro e Nogueira o fogo esteve a poucos metros das casas, defendidas com meios dos bombeiros e dos próprios moradores.

As chamas deflagraram no monte do Ramalhão, em Outeiro, nos arredores da cidade de Viana do Castelo, e propagaram-se às freguesias vizinhas de Nogueira, Perre, Cardielos e Santa Marta de Portuzelo.

A grande extensão das frentes de fogo e as dificuldades de acesso têm sido as grandes dificuldades dos bombeiros, tendo as chamas destruído uma vasta área de mato mas também de pinhal e eucaliptal.