A agência que organizou a viagem de finalistas a Torremolinos, Espanha, apresentou duas queixas na polícia espanhola contra o hotel por apropriação indevida do total das cauções e por incumprimento contratual.

Inês Mota, da "Slide In", denunciou na TVI24 um "proprietário muito intolerante a este tipo de mercado".

Houve danos pontuais no hotel, mas claramente não são estragos de 50 mil euros. Nem o hotel poderia continuar aberto, a receber turistas no próprio dia, se houvesse esse rasto de destruição que o proprietário falou."

Já em declarações à agência Lusa, o gerente da agência, Nuno Dias, explicou que o hotel Pueblo Camino Real, em Torremolinos, onde estiveram hospedados 1.100 estudantes portugueses, se recusou a entregar 35 mil euros (correspondente a parte da caução) sem fazer prova dos estragos e ao longo dos seis dias de estadia prestou um serviço abaixo do que estava contratualizado.

“Não me apresentou um relatório de danos devidamente averbado, não me permitiu ver os danos de forma presencial e disse que ficaria com o dinheiro."

No momento de entrada no hotel, explicou, foram pagos 51.300 euros e, deste valor, foram devolvidos 15 mil euros.

No limite se existiam tantos estragos que justificassem a apropriação desta quantia deveria ter-me sido mostrado de forma presencial todos esses danos para que eu pudesse resolver e atestar com o grupo. Até ao dia de hoje a única coisa que me foi mostrada foi um fotografia de um quarto em que tinha tirada parte da tinta. Tudo o resto que o hotel alega nunca me foi mostrado.”

O responsável do hotel, adiantou o gerente da agência Slide In, exigiu ainda sobre os 35 mil "retidos indevidamente" um pagamento adicional de 50 mil euros para o pagamento dos estragos.

Relativamente ao incumprimento contratual, o gerente, que esteve também hospedado no hotel, explicou que houve várias situações relatadas pelos jovens portugueses, que tentou resolver sem sucesso, nomeadamente a não limpeza dos quartos, a falta de refeições adequadas e em quantidade suficiente e o permanente corte do serviço bar aberto.

Nuno Dias disse ainda que as duas queixas foram apresentadas no sábado, quando o proprietário do hotel impediu que a equipa de adultos (técnicos de som, motoristas) que acompanharam a viagem dos jovens retirasse as suas malas e material de trabalho após o check out.

Neste dia, explicou, foi a polícia espanhola e portuguesa, que se encontrava no local a pedido do proprietário do hotel, que o obrigou a deixar a organização entrar para recolher os seus pertences.

Numa outra situação, adiantou, a polícia foi chamada pela organização da viagem depois de lhe ter sido negado o livro de reclamações.

Nuno Dias garante que “nunca houve intervenção da polícia por desacatos”, apenas no dia do check out pela situação relatada e no dia em que a unidade hoteleira se recusou a dar o livro de reclamações.

Uma fonte da polícia em Torremolinos disse no fim de semana à agência noticiosa AP que as autoridades tiveram de atuar em várias ocasiões naquele hotel onde estavam instalados os jovens portugueses.

Hoje a polícia espanhola disse à Lusa que recebeu duas denúncias e iniciou uma investigação sobre os alegados danos que centenas de estudantes portugueses causaram num hotel na costa sul de Espanha.

Uma fonte oficial do comando regional de Málaga da polícia nacional espanhola disse hoje à agência Lusa que tanto a administração do hotel como o operador que organizou a viagem apresentaram denúncias sobre os acontecimentos, tendo sido iniciada uma investigação.

O ministro da Educação português afirmou também hoje que o caso de alegados danos causados por estudantes portugueses num hotel em Espanha está a ser "seguido com atenção" e que é precisa "alguma serenidade" e entender o que "aconteceu verdadeiramente".

O hotel confirmou o incidente, tendo remetido explicações para uma conferência de imprensa agendada para hoje e que foi, entretanto, cancelada.

O hotel localiza-se em Los Álamos, uma zona de Torremolinos, perto de Benalmádena.