A menina de seis anos que foi resgatada juntamente com o pai, esta manhã, ao largo dos Açores, depois do veleiro francês onde seguiam ter naufragado, morreu, apurou a TVI.

Num comunicado, a Marinha esclarece que um dos tripulantes não resistiu aos danos causados pela permanência na água.
 

“Na sequência da operação de multisalvamento que decorre ao largo dos Açores, a Marinha informa que, lamentavelmente, um dos tripulantes não resistiu aos efeitos provocados pela longa permanência na água, em consequência do naufrágio do veleiro REVES D'O”, lê-se no comunicado. 


A família, um casal com dois filhos, foi resgatada com vida depois do veleiro francês ter naufragado, na madrugada desta quinta-feira, a cerca de 500 milhas náuticas a sul dos Açores.

“O naufrágio ocorreu cerca das 02:00, dois dos tripulantes que permaneciam numa balsa salva-vidas foram resgatados pelo navio mercante Yuan Fu Star, de Hong Kong, sendo que de imediato foram iniciadas buscas pelo P3P Orion da Força Aérea Portuguesa dos outros dois náufragos”.

 
A mãe e o filho de nove anos foram os primeiros a serem salvos, após duas horas de buscas, “e aos primeiros alvores”, a marinha localizou o pai e a filha de seis anos. Foi então enviado “um kit de sobrevivência até à chegada, cerca das 09:30, do navio hospital Esperanza del Mar, que efetuou o seu resgate e prestou assistência médica”.
 
Pai e filha aguentaram durante mais de sete horas em alto mar até ao salvamento, mas após a assistência médica, o óbito da menina de seis anos foi declarado a bordo do navio hospital espanhol.

O capitão do porto de Ponta Delgada, Matos Nogueira, disse à Lusa que são ainda desconhecidas as causas da morte da menina, mas que "muito provavelmente resultaram do estado de hipotermia" com que foi retirada da água.

Anteriormente, em declarações à agência Lusa, Paulo Vicente, porta-voz da Marinha Portuguesa, explicou que o resgate do veleiro francês com quatro tripulantes a bordo, um casal com dois filhos, não correu da melhor forma. "Quando o navio mercante de Hong Kong se estava a aproximar do local para lhe prestar assistência [ao veleiro francês], este afundou-se. Dois dos tripulantes conseguiram entrar para o bote salva-vidas e os outros dois saltaram para a água", explicou.

O capitão do Porto de Ponta Delgada, comandante Matos Nogueira, tinha também afirmado que "os quatro náufragos do navio foram resgatados com vida".

A Marinha Portuguesa resgatou durante o dia de quarta-feira e hoje 14 pessoas de cinco veleiros que se encontravam a navegar a 500 milhas a sul dos Açores, depois de um pedido de auxílio devido às condições meteorológicas adversas com ondas de dez metros.

"Devido às condições meteorológicas muito adversas que estavam no oceano Atlântico, uma depressão cavada a cerca de 500 milhas a sul dos Açores, várias embarcações pediram auxílio, houve cinco veleiros em que foi necessário evacuar os tripulantes, tendo os alertas começado às duas da manhã de ontem [quarta-feira], e prolongaram-se durante o dia."


Durante o dia de quarta-feira e a madrugada de hoje tiveram sucesso quatro missões, tendo sido recolhidos todos os tripulantes dos veleiros em perigo.

Os cinco veleiros eram originários da França, Holanda, Noruega, Suécia e EUA e estavam de regressavam à Europa, explicou a relações públicas da Marinha portuguesa, que desconhecia se os veliros estavam a viajar juntos.

Segundo o comunicado publicado na página da Marinha, quatro dos primeiros tripulantes resgatados foram recuperados pelo helicóptero EH-101 da FAP “numa exigente missão”, que durou cerca de 12 horas, “sob ventos na ordem dos 50 nós (cerca de 90 km/h) e ondulação de 10 metros, que muito dificultaram a operação de resgate”.

Os outros quatro tripulantes foram recolhidos por dois navios mercantes, dirigidos para local pelo MRCC Delgada.

Estes meios encontravam-se nos Açores, no âmbito do exercício de busca e salvamento SAREX 15, que foi entretanto suspenso face ao empenhamento dos meios aéreos nas cinco missões reais.