«Uma pasta dificílima». Valente de Oliveira foi ministro da Educação há 30 anos e lembra-se bem do que passou. Por isso, é o primeiro a reconhecer o trabalho da ministra e a concordar com grande parte das suas medidas, mas também lhe aponta o dedo na questão da avaliação: «Foi muito perturbador».

Em entrevista conjunta ao RCP e ao IOL, este ex-ministro sublinha que «não se pode fazer reformas contra as pessoas. É preciso ir com calma. Ter paciência».

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Valente de Oliveira concorda com a avaliação dos professores, mas, sublinha, talvez fosse preferível fazer uma avaliação «menos exigente, menos ambiciosa». E acrescenta: «Em vez de se adoptar um processo de avaliação gradual, que me parece mais sensato, foi-se logo para um modelo muito completo, mas também complexo».

A versão da ministra «até pode vingar», mas, considera Valente de Oliveira, «com grandes custos», que este ex-ministro da Educação considera que «não devemos pagar. Devemos sim começar com coisas praticáveis».

Apesar de não aprovar os «métodos» de Maria de Lurdes Rodrigues, o ex-titular da pasta do governo de Mota Pinto, reconhece que a ministra «tem revelado uma grande tenacidade» e, por isso, diz, «temos de ter respeito por quem se entrega com tanta devoção a uma causa e a um posto».

E quanto ao estilo do Governo de Sócrates? «Não gosto do estilo... muito preocupado com as aparências, com a transmissão de uma imagem de actividade. Eu gosto das coisas mais sólidas, mais consistentes, menos mediáticas». No fundo, conclui Valente de Oliveira, «prefiro menos exibição e mais contenção».

Valente de Oliveira foi ministro da Educação e Investigação Científica entre 1978 e 1978, presidente da Comissão de Coordenação da Região Norte (CCRN) entre 1979 e 1985, ministro do Planeamento e da Administração do Território entre 1985 e 1995, ministro das Obras Públicas, Transportes e Habitação em 2002 e 2003 e vice-presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP).

A entrevista a Valente de Oliveira será transmitida na íntegra este sábado às 13 horas e este domindo às 23 horas no programa «Confidências», na emissão do Porto.