Os politécnicos consideram que cumpriram o seu papel ao aumentar as vagas em áreas como as tecnologias de informação e comunicação e sublinham que é possível levar estudantes para o interior, cada vez mais procurado por alunos estrangeiros.

No âmbito da sua autonomia, as instituições deram uma resposta importante aos desafios que o país enfrenta, incrementando o número de vagas numa área crucial e em que tem havido um aumento significativo do investimento”, disse à Lusa Pedro Dominguinhos, presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP).

O responsável comentava as notícias esta quarta-feira divulgadas sobre as vagas no ensino superior, que registaram um aumento, ainda que residual, num ano em que foram cortadas, por determinação do Governo, as vagas em Lisboa e Porto.

Segundo os dados divulgados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES), o total de vagas para ingressar nas universidades e politécnicos públicos em 2018 é de 50.852, mais 0,2% do que as 50.838 vagas de 2017, fixando-se a distribuição em 55% para as universidades e 45% para os politécnicos.

Pedro Dominguinhos considerou que os politécnicos “cumpriram o seu papel na utilização de vagas para efeitos de coesão territorial”.

O responsável afirmou que, apesar de tudo, algumas instituições do litoral acabaram por aumentar as vagas, mas sublinhou que as instituições do interior também aumentaram as vagas em diferentes áreas.

É difícil em apenas um ano, mas de forma gradual é possível levar mais estudantes para o interior”, sublinhou o presidente do CCISP, que frisou igualmente o aumento da procura das instituições do interior por parte dos estudantes estrangeiros.

Sobre as capacidades do interior para atrair estudantes, o responsável do CCISP destacou a qualidade dos cursos, dando o exemplo do curso de tecnologia alimentar do politécnico de Bragança, que figura entre os 50 melhores segundo o Ranking de Xangai, divulgado na terça-feira.

Há um conjunto de condições que muitas instituições têm conseguido encontrar, em parceria com os municípios e outras instituições regionais, para os acolher”, acrescentou.

Pedro Dominguinhos sublinhou que, além da qualidade dos cursos, o interior tem um custo de vida inferior e um nível de qualidade de vida superior.

“Estes três fatores têm atraído estudantes, não só nacionais, mas também estrangeiros. (…) Nos últimos três anos, há três politécnicos que figuram entre seis instituições que mais estudantes internacionais captam”, acrescentou.

Os alunos que queiram candidatar-se ao ensino superior público têm 1.068 cursos disponíveis, entre licenciaturas e mestrados integrados.

A primeira fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior arranca esta quarta-feira e termina a 7 de agosto.

Os resultados da primeira fase de candidaturas são divulgados a 10 de setembro, no portal da Direção-Geral do Ensino Superior, seguindo-se depois as segunda e terceira fases de acesso.